A Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de ações do Banco de Brasília pertencentes ao empresário Daniel Vorcaro, ao ex-sócio Maurício Quadrado e ao fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur. Os ativos somam cerca de R$ 376 milhões e a medida impede a venda das participações enquanto avançam as investigações sobre a aquisição de carteiras do Banco Master.
A decisão foi comunicada em fato relevante pelo banco, que informou que o Bradesco, na condição de agente de custódia, já foi notificado para evitar qualquer negociação dos papéis. A medida ocorre em meio a apurações sobre a compra de mais de R$ 12 bilhões em ativos com indícios de fraude, operação que teria causado prejuízo estimado em pelo menos R$ 5 bilhões. O impacto final será divulgado no balanço previsto para março.
A crise ganhou dimensão policial em novembro de 2025, com a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. Na ocasião, a Justiça determinou o afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa, que depois foi demitido. As investigações apuram a origem e a qualidade das carteiras adquiridas e a possível manipulação de informações financeiras.
Antes da crise, o Banco Central do Brasil já havia rejeitado a tentativa de compra do Banco Master, após cinco meses de análise. O negócio previa a aquisição de 58% do capital da instituição, mas foi barrado em setembro de 2025 diante de preocupações sobre o modelo de negócios e a consistência dos ativos envolvidos na transação.
O Ministério Público Federal também havia alertado o BRB para comprovar a veracidade dos ativos e a ausência de passivos ocultos. Segundo o órgão, havia risco elevado de prejuízo ao patrimônio público. Os valores bloqueados poderão ser usados futuramente para recompor o capital do banco, enquanto a investigação segue sob sigilo.
Davi Fernandes
Ver todos os comentários | 0 |