O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a liquidação do Banco Master foi uma medida técnica, necessária e adotada com o objetivo de proteger o sistema financeiro. Segundo ele, a decisão foi tomada com total autonomia institucional durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação ocorre em meio a um embate público com advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, que alegam que a intervenção foi precipitada. Em discurso durante um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Galípolo destacou que a apuração de suspeitas de irregularidades no Banco Master seguiu rigorosamente a independência do Banco Central e dos órgãos de fiscalização.
De acordo com o presidente da autoridade monetária, essa autonomia foi fundamental para permitir a atuação sem pressões políticas. “Agradeço a Deus por enfrentar esse processo sob o presidente Lula. Quero reforçar a garantia da autonomia do Banco Central e da Polícia Federal”, afirmou. Ele também citou o apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além da atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da Polícia Federal, que participaram das investigações. Para Galípolo, o trabalho conjunto assegurou transparência e segurança jurídica em um caso considerado delicado.
Ao detalhar os motivos da liquidação, Galípolo afirmou que o Banco Master apresentava uma situação financeira crítica e descumpria exigências regulatórias, como o recolhimento de depósitos compulsórios. Segundo ele, a instituição tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, acumulava um déficit superior a R$ 2,5 bilhões no compulsório e enfrentava vencimentos de mais de R$ 120 milhões em CDBs naquela semana. Ele lembrou ainda que já havia um processo administrativo sancionador em curso desde o primeiro trimestre de 2025.
Galípolo ressaltou que o foco da liquidação é resguardar os clientes e a estabilidade do sistema financeiro, e não proteger administradores ou controladores. Ele explicou que o Banco Master era classificado como S3, categoria reservada a instituições de menor porte e sem relevância sistêmica, o que tornou o processo menos complexo do que intervenções históricas em grandes bancos, como o Bamerindus.
“Não se pune a instituição para salvar indivíduos. O objetivo é tentar preservar a instituição e responsabilizar quem eventualmente tenha cometido irregularidades”, afirmou.
Por fim, o presidente do Banco Central elogiou o trabalho técnico da equipe envolvida no caso, destacando a atuação do diretor Ailton de Aquino Santos nas investigações, além do acompanhamento do Tribunal de Contas da União, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus.
Rodrigo Mendes
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