Advogados de detentos considerados de alta periculosidade que cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília passaram a solicitar à Justiça o mesmo benefício concedido ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão autorizou que o empresário tenha encontros com seus advogados sem monitoramento ou gravação de áudio e vídeo dentro da unidade. Entre os presos cujas defesas tentam obter o mesmo tratamento está Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A autorização foi concedida após Vorcaro ser transferido para a unidade federal na semana passada. A medida abriu espaço para que advogados de outros presos apresentem pedidos semelhantes dentro do Sistema Penitenciário Federal. A possibilidade já vinha sendo acompanhada com preocupação pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), responsável pela administração das penitenciárias federais.
O advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola, informou que pretende formalizar o pedido ao juiz corregedor responsável pela unidade para garantir ao cliente o mesmo direito concedido ao banqueiro. Segundo ele, a solicitação tem como base a garantia do exercício da advocacia e do direito de defesa. Caso o pedido seja negado, a defesa afirmou que pretende recorrer diretamente ao STF para tentar obter a autorização.
A Senappen, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, criticou a decisão de flexibilizar o monitoramento durante os atendimentos jurídicos. De acordo com o órgão, as regras atuais do sistema federal foram criadas para manter controle rigoroso sobre comunicações e visitas, justamente para impedir que líderes de organizações criminosas mantenham contato com o exterior ou continuem coordenando atividades ilícitas a partir da prisão.
Outros advogados também ingressaram com pedidos semelhantes. A advogada Ana Paula Minichillo de Araújo Santos solicitou ao STF que o benefício seja estendido a Carlenilto Pereira Maltas, acusado de envolvimento nas mortes de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Souza, o Paca, assassinados em 2018 durante disputa interna da facção. Pedido semelhante foi apresentado pelo advogado Eliseu Minichillo em favor de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada. A penitenciária federal em Brasília também abriga outros nomes ligados ao crime organizado, como Cláudio Barbará da Silva, o Barbará, Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, e Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho.
Davi Fernandes
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