O presidente nacional do PT, Edinho Silva, informou nesta quarta-feira (22) que o partido analisa a adoção de medidas judiciais contra o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre após declarações do parlamentar sobre as urnas eletrônicas durante um encontro com diplomatas realizado na terça-feira (21), em Brasília.
Em nota, Edinho afirmou que Flávio reproduziu o mesmo discurso utilizado por Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e classificou a postura como uma continuidade da estratégia adotada pelo ex-presidente. “O senador reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares”, diz Edinho.
O dirigente petista também afirmou que a declaração tem caráter antidemocrático e relacionou esse tipo de discurso aos acontecimentos que culminaram na tentativa de golpe investigada após os atos de janeiro de 2023. “Como provado na investigação e, posteriormente, no julgamento, da tentativa de golpe de janeiro de 23, tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia”, destacou.
Ao encerrar a nota, Edinho afirmou que o partido estuda as providências jurídicas cabíveis e reforçou que o PT permanece ao “lado da democracia e em defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro”. Durante o encontro com diplomatas, Flávio Bolsonaro voltou a levantar questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e apresentou informações que já haviam sido contestadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um esquema de fraude nas eleições da Venezuela em 2012, segundo um relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, divulgado nesta semana.
“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, expôs.
Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral reiterou que as urnas utilizadas nas eleições brasileiras não são fornecidas pela empresa venezuelana. Em nota divulgada originalmente em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, a Corte voltou a desmentir a informação.
“São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, diz o texto.
Flávio nega ter questionado o sistema eleitoral
Após a repercussão das declarações, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que não colocou em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro e que tem “integral confiança” no processo de votação.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, diz trecho da nota.
No comunicado, o senador não detalha a relação feita entre as urnas utilizadas nas eleições brasileiras e os equipamentos que foram alvo de questionamentos na Venezuela.
Leandro Soares
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