A Polícia Federal apontou que a deputada federal Gorete Pereira teria pago propina ao ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, em um esquema de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas. A parlamentar foi alvo, nesta terça-feira (17), da Operação Indébito, que cumpriu mandados no Ceará e no Distrito Federal, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com base em investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo o despacho, há indícios de que a deputada atuava como articuladora política para viabilizar o credenciamento e a ativação de entidades associativas, mediante pagamento de vantagens indevidas a servidores do INSS.
De acordo com a investigação, o nome de Gorete Pereira aparece ligado a entidades suspeitas de realizar descontos irregulares em benefícios previdenciários. O relatório aponta recebimento de valores em dinheiro e contato direto com integrantes do órgão envolvidos na chamada Operação Sem Desconto. Ainda segundo o documento, a parlamentar teria influência na estrutura administrativa federal e participação no funcionamento do esquema investigado.
A apuração também levou à prisão do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, apontada como responsável pela operacionalização das filiações fraudulentas e dos descontos indevidos. Conforme análise de movimentações bancárias, cerca de R$ 4 milhões teriam sido repassados a Stefanutto entre abril de 2024 e janeiro de 2025, a partir de contas vinculadas à advogada. A investigação também indica uso de empresas de fachada, simulação de serviços e ocultação de patrimônio.
Outro alvo foi o diretor da Dataprev, Alan Santos, suspeito de facilitar autorizações para entidades acessarem dados e realizarem operações com beneficiários. Ele teria se reunido com Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador do esquema. Durante as diligências, foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. A Polícia Federal informou que a operação investiga crimes como inserção de dados falsos, organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de bens.
Davi Fernandes
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