O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu nesta segunda-feira (2) a posição do governo brasileiro de condenar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano no último fim de semana. Segundo o diplomata, a manifestação foi recebida de forma positiva pelas autoridades de Teerã. O Ministério das Relações Exteriores solicitou a interrupção imediata das ações militares no Oriente Médio.
Durante encontro com jornalistas na embaixada, em Brasília, Nekounam afirmou que a posição brasileira está alinhada à defesa da soberania e da integridade territorial dos países. Ele classificou os ataques como agressões e declarou que o governo norte-americano não busca mais um acordo nuclear, mas sim a mudança de regime no país persa. O diplomata disse ainda que o Irã enfrenta um cenário de guerra e que os Estados Unidos e Israel teriam iniciado o conflito sob o pretexto de negociações.
O embaixador afirmou que o país dará resposta militar aos ataques e que possui capacidade para enfrentar cenários extremos. Ele também criticou o ex-presidente Donald Trump, alegando que ele ultrapassou limites ao se posicionar sobre a crise. Segundo o representante iraniano, as ações do país têm como alvo apenas estruturas militares ligadas aos Estados Unidos e a Israel.
Nekounam negou a existência de tensões com países vizinhos e disse que não há desentendimentos regionais. Ele acrescentou que bases militares utilizadas para operações contra o Irã poderão ser alvo de retaliação e que os governos da região devem pressionar pela desativação dessas estruturas. O diplomata também mencionou o risco de ampliação do conflito após o fechamento do Estreito de Ormuz, classificando a medida como consequência já prevista.
O embaixador informou que não há números oficiais de vítimas e que não existem registros confirmados de brasileiros mortos ou feridos. De acordo com autoridades diplomáticas, seis brasileiros que integravam uma equipe de futebol em Teerã deixaram o país com apoio da embaixada e seguiram para Istambul, na Turquia. Outro caso envolveu uma brasileira e seu marido, que também saíram do território iraniano. A ofensiva aérea realizada no sábado (28) teve como alvo estruturas estratégicas e resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, além de autoridades militares, levando o país a responder com ataques com mísseis.
Davi Fernandes
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