Novos documentos ligados ao Banco Master revelam detalhes sobre a estrutura societária da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro e financiamento de uma estrutura clandestina de monitoramento.
De acordo com um relatório interno de análise de crédito, datado de fevereiro de 2024, o empresário Fabiano Zettel aparece como único proprietário da companhia. Ele é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central nas investigações.
As informações indicam que Zettel também controlava integralmente o Fundo de Investimento em Participações Kairós, responsável por concentrar os recursos que abasteciam a Super Empreendimentos. Entre 2023 e 2024, ele declarou à Receita Federal mais de R$ 190 milhões em lucros e dividendos oriundos desse fundo.
O documento do banco detalha ainda que o grupo utilizava uma rede de empresas e movimentações financeiras complexas, incluindo investimentos e operações de alto valor, para dificultar o rastreamento do dinheiro. Apesar disso, a análise de crédito classificou o cliente com rating “B” e não apontou restrições relevantes nos mecanismos de compliance.
Posteriormente, a estrutura societária da empresa passou por mudanças significativas. Um aumento expressivo de capital elevou o valor declarado para mais de R$ 1,2 bilhão, com a entrada de um novo fundo de investimento, ligado ao próprio Vorcaro, que passou a figurar como principal investidor do negócio. As informações são da coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.
As investigações apontam que a Super Empreendimentos ocupava papel estratégico nas operações do grupo. Segundo a Polícia Federal, a empresa teria sido utilizada tanto para a movimentação de recursos ilícitos quanto para o pagamento de uma estrutura denominada “Turma”, responsável por monitoramento, coleta de informações e supostos atos de intimidação.
De acordo com a PF, o dinheiro saía da Super e chegava em empresas de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, líder da “Turma“, que tirou a própria vida na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG) depois de ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele teria recebido R$ 24 milhões de Vorcaro.
Além disso, documentos indicam que a empresa foi utilizada na aquisição de bens de alto valor, como obras de arte e imóveis de luxo em cidades como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Entre os ativos identificados estão uma mansão milionária, apartamentos de alto padrão e participações em empreendimentos diversos.
O caso segue sob investigação e pode resultar em responsabilizações por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e outros ilícitos financeiros.
Wanessa Gommes
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