A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, realizada nesta quarta-feira (4), em São Paulo, levou ao cancelamento de mais uma sessão da CPI do Crime Organizado no Senado. Vorcaro e o cunhado, o empresário Fabiano Campos Zettel, eram aguardados para prestar depoimento, mas não compareceram. Ambos são alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Zettel não foi localizado, e a defesa obteve habeas corpus que o desobrigou de comparecer à comissão. Na noite de terça-feira (3), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso envolvendo o Banco Master, concedeu decisão semelhante a Vorcaro, tornando facultativa sua presença. Apesar de não comunicar formalmente a CPI, o banqueiro já havia indicado que só compareceria à oitiva na Comissão de Assuntos Econômicos, marcada para o próximo dia 10. Mendonça determinou que eventual deslocamento deverá ocorrer com acompanhamento da Polícia Federal, em aeronave da corporação ou em voo comercial.
Vorcaro foi preso na terceira etapa da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa. Ele já havia sido detido em novembro do ano passado, na primeira fase da operação, ao tentar embarcar para a Europa em avião particular no aeroporto de Guarulhos. Além dos dois empresários, o STF expediu outros dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.
Em nota, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, afirmou que a ausência dos depoentes não interrompe os trabalhos da comissão. Ele declarou que a Advocacia do Senado apresentou recurso contra decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, que suspendeu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações S.A., aprovada pelo colegiado. Pelas redes sociais, Contarato informou que a comissão tenta restabelecer a medida, diante de apontamentos feitos nas investigações.
O senador Eduardo Girão criticou os sucessivos cancelamentos e defendeu a instalação de uma CPI exclusiva para apurar o caso do Banco Master. Ele também pediu a prorrogação da CPMI do INSS por, no mínimo, 60 dias, e mencionou decisão recente do ministro Flávio Dino relacionada à quebra de sigilo no âmbito da comissão. Girão afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deverá analisar pedidos de criação de nova comissão. Enquanto isso, a CPI do Crime Organizado segue com análise de documentos e mantém a apuração sobre possíveis conexões entre o sistema financeiro e organizações criminosas.
Davi Fernandes
Ver todos os comentários | 0 |