O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda a possibilidade de extinguir o imposto sobre compras internacionais em sites como Shein, Shopee e AliExpress, conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida, criada em 2024, vem sendo alvo de críticas e é vista dentro do governo como um fator de desgaste eleitoral.
Levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta que 62% dos brasileiros consideram a taxação um erro, enquanto 30% avaliam a medida como um acerto.
Arrecadação recorde e impacto no consumo
Apesar das críticas, o imposto gerou forte aumento na arrecadação federal. Dados da Secretaria da Receita Federal indicam que, em 2025, foram arrecadados R$ 5 bilhões com a tributação de encomendas internacionais — valor recorde. Em 2024, a arrecadação já havia atingido R$ 2,88 bilhões, também o maior nível da série histórica até então.
Por outro lado, estudos apontam impacto no consumo, principalmente entre as classes de menor renda. Pesquisa da Plano CDE indica que o consumo de produtos importados caiu 35% entre consumidores das classes C, D e E entre junho de 2024 e abril de 2025. Entre as classes A e B, a redução foi menor, de 11%.
Indústria defende manutenção
Enquanto o governo avalia mudanças, representantes da indústria e do comércio defendem a manutenção da taxa. Um manifesto assinado por mais de 50 entidades argumenta que a medida ajudou a fortalecer o varejo nacional, com aumento de empregos e investimentos.
Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), o setor registrou crescimento de quase 6% nas vendas no primeiro ano de vigência da taxação, além de aumento de 3,9% no número de empregos.
Governo dividido
Internamente, há divergências sobre a possível revogação. O presidente Lula já sinalizou ser favorável ao fim da taxa, afirmando que a medida pode ter causado prejuízos políticos ao governo.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, avalia que o impacto fiscal da retirada do imposto seria limitado. Já o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, também defende a revisão da medida.
Por outro lado, técnicos do Ministério da Fazenda resistem à mudança, argumentando que a tributação é importante para proteger a indústria nacional e manter empregos.
Congresso também discute mudanças
Como a taxação foi aprovada pelo Congresso, uma eventual revogação dependerá de nova decisão legislativa ou de medida provisória do governo.
Atualmente, tramitam na Câmara dos Deputados propostas dos parlamentares Ricardo Ayres e Kim Kataguiri que buscam derrubar o imposto, sob o argumento de que ele encarece produtos para o consumidor sem gerar benefícios proporcionais à economia nacional.
Wanessa Gommes
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