O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira (2) que a chamada “taxa das blusinhas” não foi uma iniciativa exclusiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a medida contou com a participação dos governadores e do Congresso Nacional, inclusive com apoio de parlamentares da oposição.
“A taxa das blusinhas não foi uma criação do governo do presidente Lula, mas dos governadores. Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas, inclusive aqui de São Paulo [Tarcísio de Freitas]. E a direita não reclama dele. Então, não entendo por que isso ficou marcado como se fosse decisão do Executivo federal”, disse Haddad em entrevista ao ICL Notícias.
De acordo com o ex-ministro, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi aprovada de forma unânime, mas acabou sendo alvo de distorções no debate público, especialmente com uso político por adversários.
Fernando Haddad também apontou o que considera desinformação sobre a taxação, afirmando que a medida nasceu de pressões do varejo nacional diante da concorrência com produtos importados de baixo custo.
“Diante da pressão do varejo brasileiro – o ‘velho’ da Havan, o cara da Riachuelo, todos bolsonaristas – os governadores decidiram cobrar a taxa”, afirmou.
A proposta, disse o ministro, foi “100% aprovada por todos os partidos no Congresso Nacional”, e reforçou que “a tal da ‘taxa das blusinhas’ teve apoio total”, tentando afastar a ideia de que a medida tenha sido uma decisão isolada do governo federal.
O ex-ministro ainda criticou o uso político da taxação, inclusive por aliados. “Até nosso campo desinforma”, declarou, ao comentar atribuições equivocadas sobre a origem da medida. Segundo ele, a narrativa em torno do tema foi construída com fins eleitorais, apesar de classificar a taxação como uma ação de proteção econômica.
Rodrigo Mendes
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