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Desembargadores afastados do TJ de Minas Gerais receberam R$ 1,5 milhão em penduricalhos

Os valores não incluem os salários fixos e abrangem gratificações, vantagens pessoais e indenizações.

Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) acumularam cerca de R$ 1,5 milhão em benefícios extras ao longo de um ano, segundo levantamento divulgado pelo portal Metrópoles. Os valores não incluem os salários fixos e abrangem gratificações, vantagens pessoais e indenizações.

De acordo com a apuração, Magid Nauef Láuar e Alexandre Victor de Carvalho receberam, cada um, quase R$ 1 milhão entre abril de 2025 e março de 2026.

Foto: Reprodução/Tribunal de Justiça de Minas GeraisTribunal de Justiça de Minas Gerais
Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Os dois magistrados foram afastados de seus cargos no início deste ano por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Láuar responde a denúncias de abuso sexual, enquanto Carvalho é investigado por suspeita de favorecer a empresa 123 Milhas em decisões judiciais. Apesar do afastamento, ambos continuam recebendo salários integrais, conforme regras aplicáveis à magistratura.

Valores acima do teto

As verbas adicionais fizeram com que os rendimentos mensais ultrapassassem o teto do funcionalismo público. Em janeiro de 2026, Alexandre de Carvalho recebeu cerca de R$ 100 mil apenas em vantagens pessoais, superando o salário-base de aproximadamente R$ 42 mil.

Já Magid Láuar registrou ganhos elevados em junho de 2025, quando recebeu cerca de R$ 89 mil em benefícios extras, além da remuneração mensal próxima de R$ 40 mil.

Segundo o tribunal, os valores pagos têm caráter indenizatório ou correspondem a verbas retroativas, o que permite que fiquem fora do limite constitucional. Somando todos os rendimentos líquidos, os gastos públicos com os dois magistrados se aproximaram de R$ 2 milhões em um período de 12 meses.

Investigações em andamento

O afastamento de Magid Láuar ocorreu após denúncias de crimes sexuais no interior de Minas Gerais. Pelo menos cinco pessoas relataram abusos, incluindo um parente que afirmou ter sido vítima de tentativa de estupro na adolescência. O magistrado também já havia sido alvo de críticas por decisões judiciais controversas.

No caso de Alexandre de Carvalho, o afastamento ocorreu após o surgimento de investigações sobre sua relação com a empresa 123 Milhas. Ele é suspeito de ter proferido decisões que dificultaram a cobrança de dívidas da companhia.

Segundo as informações, Carvalho solicitou aposentadoria poucos minutos após ser notificado sobre o afastamento. Os processos seguem sob sigilo no CNJ, que ainda não definiu prazo para conclusão das investigações.

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