O chefe do Comitê de Arbitragem da FIFA, o italiano Pierluigi Collina, defendeu a atuação do árbitro de campo e da equipe do VAR na vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Em entrevista publicada no site da entidade nesta quinta-feira (9), o dirigente afirmou que todas as decisões contestadas seguiram os protocolos da competição e negou que a arbitragem da FIFA sofra qualquer tipo de influência externa.
As declarações ocorreram após reclamações da seleção egípcia sobre lances considerados decisivos para o resultado da partida. Segundo Collina, críticas técnicas às decisões da arbitragem fazem parte do futebol, mas acusações contra a integridade dos árbitros ultrapassam os limites do debate esportivo.
Entenda a polêmica na arbritagem
A principal contestação sobre a arbritagem envolve a atuação do árbitro francês François Letexier, responsável por comandar a partida disputada na última terça-feira (7). O árbitro anulou um gol do Egito após recomendação do VAR, que identificou uma falta no início da jogada. Além disso, manteve a validade do gol da Argentina, apesar das reclamações da comissão técnica egípcia, que alegou falta de Julián Álvarez sobre Mohamed Salah durante uma disputa de bola.
O Egito chegou a abrir 2 a 0, mas sofreu uma virada e foi eliminado após Lionel Messi e Enzo Fernández marcarem os gols da vitória. Depois da partida, o técnico Hossam Hassan levantou a hipótese de que a arbitragem poderia ter sofrido pressão para manter a Argentina na competição.
Entre os lances mais contestados está a anulação de um gol do atacante Mostafa Zico, no segundo tempo. A seleção egípcia alegou que a falta marcada no início da jogada não existiu. Collina, porém, sustentou que o VAR agiu corretamente ao identificar uma infração de Marwan Attia sobre o zagueiro argentino Lisandro Martínez durante a fase ofensiva da jogada.
"Acreditamos que falta é falta. Independentemente de a falta parecer 'óbvia' ou não, se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir", afirmou.
Outro lance questionado aconteceu pouco antes do gol da vitória argentina. Os egípcios pediram falta de Julián Álvarez sobre Mohamed Salah, mas a jogada prosseguiu e terminou com o gol de Enzo Fernández.
Segundo Collina, tanto o árbitro quanto a equipe do VAR entenderam que o contato fazia parte da disputa normal pelo lance. "Pisar no pé de um adversário é falta, enquanto um defensor que toca na bola primeiro e depois faz um contato normal de futebol não comete falta", explicou.
Decisões externas influenciado a arbritagem
O dirigente também rebateu as acusações de favorecimento à Argentina e afirmou que não há qualquer interferência nas decisões tomadas pelos árbitros da Copa do Mundo.
"Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros da Copa do Mundo. Ninguém pode afirmar que a arbitragem da FIFA possa ser influenciada por alguém, nem mesmo pelo presidente Gianni Infantino."
Collina alertou ainda para os reflexos que esse tipo de acusação pode provocar fora das quatro linhas. Segundo ele, colocar em dúvida a honestidade dos árbitros pode estimular ameaças contra os profissionais e seus familiares, aumentando a pressão sobre quem atua em jogos de grande repercussão.
Apesar de reconhecer que algumas decisões envolvem interpretação, o dirigente afirmou que a FIFA considera que os protocolos do VAR foram corretamente aplicados no confronto entre Argentina e Egito.
Isaac Da Silva
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