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Banco Central vê indícios de propina em operação com ex-diretor ligado ao Master

A investigação se concentra na negociação do sítio Mirante, localizado no município de Juruaia.

O Banco Central identificou indícios de que o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza simulou a venda de um imóvel rural em Minas Gerais para ocultar o recebimento de valores indevidos relacionados ao Banco Master ou a pessoas próximas ao grupo.

De acordo com relatório obtido pela Folha de S.Paulo, há sinais de enriquecimento incompatível com a renda do ex-servidor, incluindo pelo menos R$ 2,6 milhões sem origem identificada.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilSede do Banco Central
Sede do Banco Central

A investigação se concentra na negociação do sítio Mirante, localizado no município de Juruaia. A propriedade pertencia a Souza e a seu irmão e foi adquirida pela empresa Pipe Participações, ligada ao empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o Banco Central, há inconsistências nos valores informados na transação. Enquanto registros em cartório apontam R$ 3 milhões, contratos mencionam R$ 5,2 milhões, e o próprio ex-diretor teria citado uma proposta de R$ 4,8 milhões parcelados.

Para o BC, os elementos reunidos indicam a possibilidade de simulação da operação com o objetivo de ocultar pagamento de propina, conferindo aparência de legalidade ao negócio. O relatório também sugere que houve atuação direcionada para cooptar o então servidor, destacando que seria improvável que ele desconhecesse a ligação entre Zettel e o grupo financeiro.

Após a aquisição, a empresa ligada a Zettel estruturou a exploração do imóvel por meio da criação da Noah Empreendimentos e Participações, voltada à atividade de cafeicultura. Mesmo sem assumir diretamente a posse, o empresário manteve vínculos com a operação, enquanto o irmão de Souza passou a administrar a área.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou que a venda ocorreu de forma regular, com valor de mercado, registro formal e declaração no Imposto de Renda. Os advogados negam qualquer tentativa de ocultação de valores ou recebimento de vantagem indevida.

A defesa também sustenta que o ex-diretor não atuou para beneficiar o Banco Master e que o processo administrativo deve garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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