O senador Flávio Bolsonaro afirmou neste sábado (16), durante evento em Sorocaba, no interior de São Paulo, que não pretende desistir da disputa política após a divulgação de um áudio em que pede dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo foi divulgado pelo site Intercept Brasil na última quarta-feira (13). Durante o discurso, o senador declarou que não será intimidado e disse que seguirá “lutando pelo Brasil”.
Na fala ao público, Flávio Bolsonaro afirmou que os adversários tentaram silenciá-lo com a divulgação do áudio. “Eles me subestimaram, mais uma vez, achando que vão me intimidar, achando que vão me calar”, declarou. O senador também utilizou referências religiosas e disse que amanheceu lembrando de uma passagem bíblica relacionada à resistência em momentos de dificuldade. Ao citar o trecho, no entanto, ele mencionou equivocadamente o versículo “14:10” do livro de Provérbios.
Desde a publicação da reportagem, o senador tem alegado que procurou Daniel Vorcaro para cobrar pagamentos atrasados relacionados a um contrato privado de financiamento do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Segundo o Intercept Brasil, o empresário teria prometido investir US$ 24 milhões na produção em dezembro de 2024. Conforme a reportagem, cerca de US$ 10,6 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 por meio de uma empresa no Brasil para um fundo nos Estados Unidos.
Durante o discurso em Sorocaba, Flávio Bolsonaro também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez ataques ao Supremo Tribunal Federal. Ao comentar os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, ele afirmou que houve interferência política no processo e citou o ministro Alexandre de Moraes. O senador ainda declarou que Jair Bolsonaro voltará ao Palácio do Planalto em 2026 e pediu apoio do público presente ao evento.
Em outro momento da fala, Flávio Bolsonaro atribuiu ao presidente Lula a frase sobre “fazer o diabo” para vencer eleições. No entanto, a declaração original foi feita pela ex-presidente Dilma Rousseff em março de 2013, durante agenda oficial em João Pessoa, na Paraíba. Na ocasião, Dilma afirmou que partidos poderiam “fazer o diabo” durante campanhas eleitorais, mas que o respeito institucional deveria prevalecer durante o exercício dos mandatos.
Davi Fernandes
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