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Governo Lula prepara missão sigilosa à Venezuela entre 15 e 18 de junho

A delegação brasileira será composta por integrantes de áreas ligadas ao comércio exterior.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma missão oficial à Venezuela entre os dias 15 e 18 de junho, em meio ao novo cenário político do país vizinho. A visita, que ocorre de forma sigilosa, contará com representantes do Ministério da Agricultura e do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e tem como principal objetivo fortalecer relações comerciais e discutir oportunidades de negócios com o governo venezuelano.

Segundo informações divulgadas pela revista Veja, a delegação brasileira será composta por integrantes de áreas ligadas ao comércio exterior e à sustentabilidade. Entre os participantes está um representante do Departamento de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade, vinculado à Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura. A coordenação da missão ficará sob responsabilidade da Secretaria de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilPresidente Lula
Presidente Lula

A viagem ocorre em um contexto de mudanças na Venezuela, atualmente comandada pela ditadora interina Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a prisão de Nicolás Maduro por militares norte-americanos no início de 2026. A expectativa é que a visita abra novas frentes de cooperação econômica entre os dois países.

Governo monitora efeitos de classificação do PCC e CV como organizações terroristas

Paralelamente, o governo brasileiro acompanha com preocupação os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida entrou em vigor na última sexta-feira (5) e foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano.

A classificação permite a adoção de sanções financeiras e outras medidas restritivas contra pessoas, empresas e instituições que mantenham vínculos com os grupos criminosos. Especialistas apontam que a decisão pode ampliar o alcance das investigações internacionais e dificultar operações financeiras relacionadas às facções.

Nos bastidores, autoridades brasileiras avaliam diferentes cenários para os impactos da medida. Um deles prevê efeitos predominantemente simbólicos, sem consequências práticas relevantes para o Brasil. Outro considera a possibilidade de bloqueio de ativos, apreensão de bens e intensificação de ações contra estruturas ligadas ao crime organizado, seguindo modelos já utilizados pelos Estados Unidos em outros países.

O principal temor do governo, porém, está relacionado a eventuais sanções financeiras. A preocupação é que empresas, instituições ou indivíduos sob suspeita de ligação com organizações criminosas possam sofrer restrições econômicas, afetando setores da economia e ampliando tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.

A decisão norte-americana também gerou receio entre autoridades da área de segurança pública, que avaliam possíveis impactos na cooperação entre agências brasileiras e órgãos dos Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas e armas. Integrantes do governo defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve continuar sendo conduzido por meio da cooperação internacional e do fortalecimento das instituições nacionais.

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