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Quem é Ricardo Magro, empresário que deve R$ 52 bilhões no Brasil

No mês passado, a PF deflagrou a Operação Sem Refino, que resultou no bloqueio de R$ 52 bilhões.

O empresário Ricardo Andrade Magro, de 51 anos, controlador do Grupo Refit, está no centro de uma série de investigações que envolvem suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e possíveis ligações com o crime organizado. Considerado foragido internacional e alvo de Difusão Vermelha da Interpol, ele vive nos Estados Unidos e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018.

No mês passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, que resultou no bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos e na suspensão das atividades do conglomerado de combustíveis. A ação revelou a dimensão das dívidas atribuídas ao grupo, apontado como o maior devedor de tributos do país.

Foto: ReproduçãoRicardo Magro
Ricardo Magro

Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a solicitar apoio do presidente norte-americano Donald Trump para auxiliar na localização e eventual extradição do empresário.

Dívida de R$ 52 bilhões

De acordo com decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o passivo acumulado pelo Grupo Refit, incluindo empresas vinculadas e pessoas físicas ligadas ao conglomerado, alcança R$ 52 bilhões. Desse total, cerca de R$ 48,8 bilhões estão concentrados na refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

As Procuradorias-Gerais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro apontam ainda que a sonegação de ICMS atribuída ao grupo soma R$ 24,4 bilhões. Conforme as investigações, a estrutura empresarial envolve offshores, fundos de investimento, trusts e empresas de fomento mercantil utilizados para movimentação de recursos.

A Polícia Federal suspeita que parte dessas operações tenha servido para ocultar a origem de valores e promover lavagem de dinheiro por meio de mecanismos financeiros que davam aparência de legalidade às transações.

Trajetória no setor de combustíveis

Natural de São Paulo e formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip), com especialização em direito tributário, Ricardo Magro iniciou sua trajetória profissional prestando assessoria jurídica a postos de combustíveis independentes.

Em 2008, assumiu o controle da Refinaria de Manguinhos, uma das mais antigas do país, localizada na zona norte do Rio de Janeiro. Na época, a empresa enfrentava graves dificuldades financeiras e acumulava dívidas tributárias e trabalhistas. Segundo relatos, foram investidos aproximadamente R$ 100 milhões na modernização das instalações e na retomada das atividades.

Suspeita de ligação com o PCC

Além da Operação Sem Refino, empresas ligadas ao Grupo Refit também aparecem na investigação da Operação Carbono Oculto, que apura a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro para lavagem de dinheiro.

Ricardo Magro nega qualquer envolvimento com organizações criminosas. Em entrevista concedida à imprensa em 2025, ele afirmou ser uma das pessoas que mais atuaram no combate ao PCC.

Ex-governador do Rio também foi alvo

As investigações da Operação Sem Refino alcançaram ainda o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Em maio, agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência.

A apuração envolve uma lei complementar sancionada por Castro em 2025 que, segundo a Polícia Federal, teria criado condições favoráveis à regularização das dívidas da Refit junto ao Estado do Rio de Janeiro. A norma permitia descontos significativos em débitos tributários, mesmo quando a empresa já era alvo de investigações por suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

Por meio de nota, a defesa do ex-governador afirmou que todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais e ressaltou que a refinaria chegou a pagar valores próximos de R$ 1 bilhão em parcelas de débitos com o estado.

As investigações continuam em andamento e buscam esclarecer a atuação do conglomerado, a origem dos recursos movimentados e a eventual participação de agentes públicos e privados no esquema apurado pelas autoridades.

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