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Ciência e Tecnologia

China lança missão ambiciosa para trazer rochas lunares à Terra

Uma sonda espacial, a Chang’e 5, decolou na madrugada de terça-feira de Wenchang, na província de Hainan, tarde de segunda no Brasil.
Por Estadão Conteúdo

A China lançou uma missão ambiciosa para trazer material da superfície da lua pela primeira vez em mais de 40 anos - um empreendimento que poderia aumentar a compreensão humana da Lua e do sistema solar em geral. Uma sonda espacial, a Chang’e 5, decolou na madrugada de terça-feira, 24, na China (tarde de segunda-feira, 23, no Brasil) para coletar rochas e outras amostras da Lua e transportá-las à Terra, na primeira missão deste tipo em mais de 40 anos. Os cientistas esperam que, sendo bem-sucedida, a missão permita entender melhor como nosso satélite evoluiu, e até datar com mais precisão as superfícies de outros planetas, como Marte e Mercúrio.

O lançamento da espaçonave ocorreu na base espacial de Wenchang, na ilha tropical chinesa de Hainan, às 4h30 de terça (horário chinês), quando o foguete Longa Marcha-5 que transporta a sonda saiu da plataforma.

A sonda Chang’e 5, assim chamada em referência a uma deusa que, segundo a tradição chinesa, mora na Lua, pesa oito toneladas e é composta de quatro módulos, que se encarregarão respectivamente da órbita em torno ao satélite, da alunissagem, da decolagem lunar e do retorno à Terra.

A viagem é outro marco na ascensão lenta, mas constante da potência asiática até as estrelas. A China se tornou o terceiro país a colocar uma pessoa em órbita há 17 anos e o primeiro a pousar no outro lado do Lua em 2019. As ambições futuras incluem uma estação espacial permanente e colocar novamente pessoas na Lua mais de 50 anos depois que o feito dos Estados Unidos.

"A China estabelecerá suas metas de desenvolvimento na indústria espacial com base em suas próprias considerações de ciência e tecnologia de engenharia", disse Pei Zhaoyu, vice-diretor do Centro de Exploração Lunar e Engenharia Espacial da Administração Espacial Nacional da China, pouco antes do lançamento.

"Não colocamos rivais ao definir essas metas", disse Pei. A China tem um plano nacional com o objetivo de se juntar aos Estados Unidos, à Europa e ao Japão nas primeiras posições dos produtores de tecnologia, e o programa espacial tem sido um componente importante disso. Também é uma fonte de orgulho nacional para levantar a reputação do Partido Comunista no poder.

O que está claro é que a abordagem cautelosa e progressiva da China tem obtido sucesso após sucesso desde que colocou uma pessoa no espaço pela primeira vez em 2003, juntando-se à ex-União Soviética e aos Estados Unidos. Isso foi seguido por mais missões tripuladas, o lançamento de um laboratório espacial, a colocação de um rover no lado distante relativamente inexplorado da Lua e, este ano, uma operação para pousar em Marte.

Seu retorno sem incidentes transformará a China no terceiro país a conseguir transportar material lunar, algo que até agora somente os Estados Unidos e a União Soviética conseguiram, em missões lançadas nas décadas de 1960 e 1970; a última delas, a soviética Lua 24, foi completada em 1976.

Se a missão for bem-sucedida, o módulo de alunissagem chegará a um ponto até agora inexplorado do lado mais próximo da Lua, nas proximidades do monte Rümker, uma área vulcânica a 1.300 metros de altitude na região conhecida como Oceanus Procellarum (Oceano das Tempestades), uma vasta planície de lava escura visível da Terra.

A principal tarefa da missão é perfurar 2 metros na superfície da Lua e recolher cerca de 2 quilos de rochas e outros detritos. “Esta é a primeira missão não tripulada de coleta de amostras e retorno da Lua”, afirmou Zhaoyu, em declarações feitas à televisão estatal chinesa. “Este trabalho é mais complicado do que pegar à mão amostras do solo lunar.”

A operação durará um dia lunar, equivalente a duas semanas terrestres; não pode se prolongar já que o frio da noite no satélite, com temperaturas que chegam a 170°C abaixo de zero, pode afetar o funcionamento dos delicados mecanismos do artefato espacial. O módulo de regresso armazenará as amostras. A sonda deve aterrissar na Terra no começo de dezembro em um ponto da província chinesa da Mongólia Interior.

"Bem-sucedida, a missão seria um feito impressionante para qualquer nação", disse o especialista da Flórida Stephen Clark, na publicação Spaceflight Now. No twitter, foi publicado vídeo do momento da decolagem da missão.

A China se orgulha de chegar a este ponto em grande parte por meio de seus próprios esforços, embora a Rússia tenha ajudado desde o início com o treinamento de astronautas e a cápsula espacial Shenzhou da China seja baseada na russa Soyuz. Embora tenha havido colaboração com algumas outras nações, notadamente aquelas pertencentes à Agência Espacial Europeia, que forneceram suporte de rastreamento para missões chinesas, os Estados Unidos não são um deles.

A lei dos EUA exige a aprovação do Congresso para cooperação entre a Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) e o programa militar da China. Disputas políticas e econômicas em andamento, notadamente acusações de que a China rouba ou força a transferência de segredos comerciais confidenciais, parecem diminuir as perspectivas de laços mais estreitos. O programa espacial da China às vezes foi visto como uma recriação de conquistas anteriores alcançadas principalmente por EUA e ex-União Soviética.

A missão, que estava prevista para 2017, precisou ser adiada por uma falha no foguete Longa Marcha. Desta vez, um dos responsáveis do projeto do foguete, Liu Bing, frisou que “outros lançamentos anteriores comprovaram certas tecnologias fundamentais, de modo que desta vez temos mais confiança. Agora nos centramos em medidas de controle no lugar do lançamento.”

Os especialistas acreditam que o material obtido, rochas submetidas durante milhões de anos a impactos de meteoros, vento solar e radiações de raios cósmicos, ajudará a esclarecer como a Lua evoluiu. Até agora se acreditava que a atividade vulcânica do satélite acabou há 3,5 bilhões de anos, ainda que algumas observações mais recentes da superfície lunar indiquem que talvez o núcleo do satélite tenha se mantido ativo até somente um ou dois bilhões de anos.

A China investiu bilhões de euros no desenvolvimento de seu programa espacial, que considera um dos pilares de seu plano para se transformar em uma grande potência econômica e diplomática nas próximas décadas. Desde que enviou em 2003 seu primeiro astronauta ao espaço, se propôs a levar uma missão tripulada à Lua na próxima década e espera montar uma estação espacial até 2022. O sucesso da Chang’e 5 também pode abrir o caminho a futuras explorações semelhantes de ida e volta a planetas como Marte.

A exploração lunar continua sendo uma prioridade para a China, algo que no futuro provavelmente assumirá a forma de "uma combinação homem-máquina", disse Pei.

Segundo ele, uma meta no futuro é construir uma estação lunar internacional de pesquisa que possa fornecer suporte de longo prazo para atividades de exploração científica na superfície lunar. "Nós determinaremos quando implementar um pouso lunar tripulado com base nas necessidades científicas e nas condições técnicas e econômicas", disse ele. /AP e El País

População brasileira registra passagem do foguete pelo céu de cidades do País

Internautas relataram ainda na segunda-feira nas redes sociais a passagem da Chang’e 5 pelo céu no Brasil. O registro foi feito principalmente por moradores de cidades da Bahia, Ceará e Piauí, que se surpreenderam com a 'nuvem brilhante' como alguns chamaram o foguete.

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