Um estudo realizado nos Estados Unidos, identificou pela primeira vez o grupo de células neurais responsável pela ativação no cérebro dos sintomas da dor crônica. Essa condição médica é caracterizada pela persistência da dor por longos períodos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa condição atinge cerca de 30% da população mundial. O estudo foi desenvolvido pela Universidade de Pittsburgh.
Os cientistas acreditam ter identificado a chave para um possível tratamento médico a partir de proteínas encontradas na membrana dos neurônios no núcleo parabraquial lateral (NPBL) do tronco cerebral.
Além de desempenhar importante função na regulação da pressão arterial, na ingestão de alimentos e no metabolismo, esses neurônios também estão ligados aos estados de dor prolongada.
Os cientistas acreditam que "existam circuitos no cérebro que podem reduzir a atividade dos neurônios que transmitem o sinal de dor".
Os cientistas estão esperançosos com os possíveis resultados. "Neste momento, os pacientes podem ir a um ortopedista ou neurologista, e não há lesão clara. Mas eles ainda estão com dor. O que estamos mostrando é que o problema pode não estar nos nervos no local da lesão, mas no próprio circuito cerebral. Se pudermos atingir esses neurônios, isso abre um novo caminho para o tratamento", disse Nitsan Goldstein, estudante parceira do estudo.
A pesquisa também sugere que intervenções comportamentais, como exercícios físicos, meditação e terapias cognitivo-comportamentais (TCC), podem influenciar na forma como os circuitos cerebrais responsáveis pela dor são ativados – da mesma forma que os cientistas puderam comprovar, em laboratório, no caso da fome e do medo.
Lilian Aragão
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