A Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF) deflagrou, por meio da 18ª Delegacia de Polícia de Brazlândia, uma operação interestadual para desarticular um esquema criminoso ligado ao chamado “Jogo do Tigrinho”. A ação resultou no bloqueio judicial de cerca de R$ 11 milhões e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete estados: Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia.
Entre os investigados está Roberth Lucas, de 24 anos, que utilizava as redes sociais para atrair seguidores com promessas de ganhos fáceis. Ele se apresentava como uma espécie de mentor financeiro, criticando supostos “vendedores de sonhos”, enquanto divulgava métodos para lucrar com apostas online.
Esquema baseado em “contas demo”
De acordo com as investigações, o padrão de vida ostentado por Roberth e sua companheira, Eduarda Cavalcante, de 21 anos, era sustentado por um esquema fraudulento. O casal utilizava contas de demonstração fornecidas por plataformas de apostas — conhecidas como “contas demo” — nas quais os ganhos são programados artificialmente para parecer elevados.
Com isso, criavam a falsa impressão de que os lucros eram reais e facilmente alcançáveis. Ao acessarem os links divulgados pelos influenciadores, as vítimas eram direcionadas para plataformas manipuladas, onde o sistema favorecia a perda do dinheiro investido.
Enquanto os usuários acumulavam prejuízos, o grupo obtinha lucro por meio de comissões geradas pelas perdas e pelo recrutamento de novos apostadores.
Organização estruturada e tecnologia avançada
A polícia identificou que o esquema funcionava como uma organização criminosa, com divisão de funções entre os integrantes. Para dificultar a investigação, o grupo utilizava recursos tecnológicos como servidores proxy para ocultar identidades, além de contas bancárias vinculadas a CPFs de terceiros para movimentar valores.
Movimentação milionária
O volume financeiro movimentado chamou a atenção dos investigadores. Estima-se que cerca de R$ 11 milhões tenham sido lavados pelo grupo. Um dos integrantes chegava a movimentar, sozinho, aproximadamente R$ 48 mil por dia.
Segundo a PC-DF, o padrão de vida exibido pelos investigados — com viagens e passeios de luxo — era incompatível com a renda declarada. Roberth, por exemplo, afirmava ser apenas estudante e não possuía vínculo formal de trabalho.
Medidas judiciais e continuidade das investigações
Diante das evidências, a Justiça determinou o bloqueio imediato das contas dos envolvidos. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil informou que a análise dos materiais apreendidos ainda está em andamento e não descarta novas prisões. O órgão também reforça a importância de denúncias anônimas para auxiliar no combate a esse tipo de crime.
Wanessa Gommes
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