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Economia e Negócios

Banco Central eleva Selic e taxa básica de juros vai a 6,25%

Com a decisão de hoje, a Selic está no maior nível em dois anos, superando o patamar de julho de 2019.
Por Estadão Conteúdo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve seu "plano de voo" mais suave e elevou nesta quarta-feira a Selic (a taxa básica de juros) em 1 ponto porcentual por unanimidade, de 5,25% para 6,25% ao ano. Este foi o quinto aumento consecutivo dos juros e o segundo em sequência nessa magnitude, após três altas iniciais de 0,75 ponto porcentual.

Com a decisão de hoje, a Selic está no maior nível em dois anos, superando o patamar de julho de 2019 - antes da pandemia de covid-19.

Além do aumento desta quarta, o Copom adiantou que deve manter o atual ritmo de ajuste na próxima reunião, nos dias 26 e 27 de outubro, o que pode levar a um novo aumento da taxa de juros, para 7,25% Mas, mais uma vez, o colegiado ressaltou que essa posição pode mudar, já que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Ao justificar a decisão de hoje, o BC avaliou que, no atual estágio do ciclo de elevação de juros, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para a meta.

Nos últimos meses, a inflação medida pelo IPCA vem subindo, em razão principalmente do aumento dos preços de energia, combustíveis e dos alimentos. Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 9,68%, beirando os dois dígitos.

O mercado estima que a inflação termine o ano em 8,3%, segundo o último Boletim Focus, bem acima do teto da meta do Banco Central, de 5,25%. O aumento das taxas de juros reflete um esforço do Banco Central para levar a inflação para a meta no ano que vem, que é de 3,5% - com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

No comunicado de hoje, o Copom reforçou ainda a fala de Campos Neto de que o BC irá levar a Selic até onde for necessário para combater a inflação. “Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista”, enfatizou o documento.

Novo ciclo de alta

Simultaneamente, o Copom disse que pretende ganhar tempo para obter mais informações sobre o estado da economia e o grau de persistência dos choques de aumento de preços. "Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista", escreveram os diretores no comunicado.

A decisão de hoje era aguardada pelo mercado financeiro. De um total de 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 44 esperavam pela elevação da Selic em 1 ponto, para 5,25% ao ano.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal, a decisão de elevar a Selic em 1 ponto porcentual confirma a mensagem dada por Campos Neto de que o comitê não se "sensibilizaria com surpresas" de curto prazo e manteria o plano de aperto monetário. "O comunicado mostra liderança firme de Campos Neto dentro do comitê para definir uma estratégia", afirma. O único ponto que surpreendeu o economista foi o trecho em que o BC afirma que considera o ritmo de 1 ponto o adequado para garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante (que considera 2022 e, em menor grau, 2023). Rosal interpretou que "não está escrito na pedra" que o passo de 1 ponto de alta de juros seguirá indefinidamente. "Há possibilidade de o Copom rever o ritmo a partir das informações que chegarem."

Nova projeção de inflação

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário básico, o BC alterou a projeção do IPCA de 2021 de 6,5% para 8,5%. No caso de 2022, a expectativa foi de 3,5% para 3,7%. Para 2023, a projeção segue em 3,2%.

Neste cenário, a autarquia ainda atualizou as projeções para a inflação dos produtos com preços administrados (como energia e combustíveis), de alta de 10% para 13,7% em 2021 e de 4,6% para 4,2% em 2022. Para 2023, a estimativa passou de 4,6% para 4,8%.

Brasil tem uma das maiores taxas de juros reais

Com os cinco últimos aumentos da Selic, o Brasil voltou a registrar uma das maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Cálculos do site MoneYou e da gestora Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 3,34% ao ano. O País possui o segundo juro real mais alto do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes do mundo. Atualmente, o País só registra uma taxa real inferior à da Turquia (+4,96%). A taxa real média desses 40 países está em -1,36%.

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