Os preços dos alimentos devem voltar a subir entre outubro e dezembro de 2025, depois de quatro meses consecutivos de queda, pressionando a inflação no país. A retomada da alta está relacionada ao aumento da demanda no fim do ano, impulsionado pelo pagamento do 13º salário, e aos reajustes já observados no atacado. Segundo o Banco Central do Brasil, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de encerrar o ano com avanço de 4,72%, superando o teto da meta de 4,5%.
No IPCA de setembro, a alimentação no domicílio registrou queda de 0,41%, acumulando quatro meses seguidos de recuo. Essa deflação foi impulsionada por boas safras agrícolas, maior oferta interna de aves — em razão da gripe aviária que reduziu exportações — e por um câmbio favorável. A expectativa dos analistas, porém, é que a tendência mude no último trimestre do ano, com reflexos diretos no bolso do consumidor.
Entre os itens que devem puxar a alta estão proteínas como carne bovina e aves, além de produtos in natura, como frutas e legumes, e o café. O mais recente Índice de Preços no Atacado - Disponibilidade Interna (IPA-DI) dos produtos agropecuários subiu 1,53% em agosto e 1,89% em setembro, revertendo meses de queda. Com o repasse natural desses preços ao varejo, a alta deve começar a aparecer nas gôndolas dos supermercados ainda em outubro.
A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, projeta aumentos mensais de 0,60% para outubro, 0,85% para novembro e 1% para dezembro na alimentação em casa. No acumulado, o avanço previsto é de cerca de 2,45% no último trimestre do ano. Esse movimento reflete a combinação de demanda elevada e reajustes que se iniciaram no atacado nos meses anteriores.
Para Fabio Romão, economista sênior da 4Intelligence, o impacto deve ser moderado, já que a oferta agrícola segue robusta e o câmbio tem colaborado para conter a escalada dos preços. A avaliação técnica indica que a alta não deve fugir do controle, mas será suficiente para interromper a sequência de deflações registrada ao longo do segundo semestre.
Davi Fernandes
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