As estatais controladas pelo Governo Federal acumularam um prejuízo de R$ 8,9 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto de 2025, segundo dados do Banco Central do Brasil compilados pela CNN Brasil. O montante representa mais que o dobro das perdas registradas até agosto de 2024, indicando um agravamento significativo no desempenho financeiro dessas empresas. A piora nos resultados ocorreu no período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reassumiu o comando do país, após anos de lucros contínuo durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
De acordo com o levantamento, a reversão de lucros para prejuízos aconteceu logo após a mudança de governo em 2023. As empresas públicas, que vinham apresentando resultados positivos desde 2018, passaram a registrar déficits expressivos. Em resposta a essa deterioração financeira, o governo foi pressionado a aumentar os repasses diretos do Tesouro Nacional para manter o funcionamento das estatais, elevando as chamadas subvenções para R$ 27 bilhões em 2024, valor R$ 3 bilhões superior ao do ano anterior.
A análise dos dados mostra que os principais beneficiários desses recursos foram a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação, recebeu cerca de R$ 11,5 bilhões, enquanto a Embrapa foi a segunda maior destinatária dos repasses. O aumento das transferências ocorre em um cenário de dificuldade financeira generalizada entre as estatais federais.
O desempenho da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ilustra de forma clara esse cenário de crise. Mesmo com uma receita de R$ 8 bilhões no primeiro semestre de 2025, a estatal apresentou prejuízo líquido de R$ 4 bilhões, número 220% maior que o registrado no mesmo período de 2024. A principal causa apontada para o resultado negativo foi o crescimento das despesas administrativas e operacionais.
Davi Fernandes
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