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Economia e Negócios

Déficit do Brasil com os EUA aumentou após tarifaço, diz Geraldo Alckmin

Vice-presidente pontuou que o governo intensificaraá negociações para tentar reverter medidas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ampliou o déficit comercial brasileiro com o país, destacando que as exportações recuaram enquanto as importações cresceram mais de 11% ao longo do ano. A avaliação ocorre poucos dias após o presidente Donald Trump retirar parte da sobretaxa de 40% aplicada a produtos agrícolas brasileiros, movimento considerado insuficiente para conter o impacto das sanções. Segundo Alckmin, o governo pretende intensificar as negociações para tentar reverter o restante das medidas adotadas por Washington.

Durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Alckmin afirmou que o desequilíbrio comercial entre os dois países tem aumentado e que não há justificativa econômica para a imposição das tarifas. Ele observou que os Estados Unidos mantêm superávit com apenas três países do G20: Reino Unido, Austrália e Brasil e que, mesmo com a queda das exportações brasileiras, a entrada de produtos norte-americanos avançou significativamente. Para o vice-presidente, esse cenário exige resposta imediata para impedir prejuízos ainda maiores a setores produtivos nacionais.

Foto: Cadu Pinotti/Agência BrasilGeraldo Alckmin
Geraldo Alckmin

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam uma queda de 4% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos no acumulado do ano, com impacto mais acentuado nos últimos três meses. A antecipação de embarques teria evitado retração ainda maior nas vendas externas. Alckmin também chamou atenção para a estrutura tarifária vigente, que favorece o mercado norte-americano, já que oito dos dez produtos que os Estados Unidos exportam ao Brasil têm tarifa zero, o que resulta em média tarifária de apenas 2,7%.

O vice-presidente destacou que 22% das exportações brasileiras estão diretamente afetadas pelas tarifas impostas recentemente, atingindo tanto setores industriais quanto segmentos agropecuários, incluindo mel e pescados. Outros 27% já enfrentam sanções aplicadas pelos Estados Unidos a diversos países, ampliando o risco de perdas econômicas. Alckmin mencionou ainda que há negociações em curso envolvendo áreas como data centers, grandes empresas de tecnologia e exploração de terras raras, que podem abrir novas vias de cooperação diplomática e comercial.

Entre os pontos de maior preocupação, o vice-presidente citou a demora do Congresso Nacional em votar medidas consideradas essenciais para mitigar os danos sofridos por empresas brasileiras. Ele mencionou o projeto que cria o Reintegra Especial, com previsão de crédito de até 6,1% do valor exportado para micro e pequenas empresas, válido entre 2025 e 2026. Também lembrou que a medida provisória do Plano Brasil Soberano, que reúne ações emergenciais para enfrentar os efeitos do tarifaço, perde validade em 11 de dezembro, aumentando a incerteza sobre a capacidade de reação do país diante das restrições impostas pelos Estados Unidos.

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