A economia brasileira deve perder ritmo em 2026, com crescimento menor do que o projetado para 2025, em um cenário marcado por menor impulso da agropecuária e manutenção dos juros em patamar elevado. Projeções do mercado financeiro indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 1,8% em 2026, após crescimento estimado de 2,26% em 2025, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. Apesar da desaceleração, a inflação tende a permanecer abaixo do teto da meta e o mercado de trabalho deve continuar aquecido.
O resultado oficial do PIB de 2025 ainda será divulgado apenas em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Para a inflação, a mediana das previsões aponta que o IPCA deve ficar em 4,05% em 2026, depois de uma alta estimada de 4,32% em 2025. Ambos os números permanecem abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação estabelecida pela autoridade monetária, cujo centro é de 3%.
Analistas indicam que os preços dos alimentos podem apresentar alguma aceleração ao longo de 2026, após o alívio observado em 2025, influenciado por uma safra recorde e pela queda do dólar naquele período. Em sentido oposto, a manutenção dos juros elevados tende a conter os preços dos serviços, que têm peso relevante no índice de inflação. A taxa Selic está atualmente em 15% ao ano, com expectativa de início de cortes até o fim do primeiro trimestre, encerrando 2026 ainda em dois dígitos, em torno de 12,25%.
Entre os fatores que devem evitar uma desaceleração mais intensa do PIB em 2026 está a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês. A medida deve liberar uma parcela maior da renda das famílias para o consumo, principal componente da atividade econômica. Esse movimento é visto como um elemento de sustentação da demanda interna ao longo do próximo ano.
No cenário externo e cambial, o boletim Focus aponta que o dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,50, levemente acima da projeção para o fim de 2025, de R$ 5,44. A taxa de câmbio influencia a inflação ao afetar custos de insumos e preços de commodities. Desde 2025, o Banco Central passou a adotar o sistema de meta contínua para o IPCA, considerando descumprimento quando a inflação acumulada permanece por seis meses fora do intervalo de tolerância, entre 1,5% e 4,5%. O índice ultrapassou esse limite em junho, mas voltou a ficar abaixo do teto em novembro.
Davi Fernandes
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