A Petrobras registrou um lucro de R$ 36,6 bilhões em 2024, uma queda expressiva de 70% em relação ao ano anterior. A empresa atribui o resultado principalmente à desvalorização do real frente ao dólar, que gerou um prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre, contra um lucro de R$ 33 bilhões no mesmo período de 2023. Apesar da queda no lucro, a estatal anunciou a distribuição de R$ 9,1 bilhões em dividendos, elevando para R$ 75,8 bilhões o total destinado aos acionistas em 2024.
A queda no lucro da companhia foi impulsionada principalmente pela variação cambial nas dívidas da Petrobras com suas subsidiárias no exterior, conforme explicou a presidente da empresa, Magda Chambriard. O impacto negativo de R$ 82,5 bilhões no resultado financeiro foi causado por operações internas entre empresas do grupo, que causaram efeitos opostos, mas que, ao fim, se equilibraram economicamente. A Petrobras enfatizou que esses efeitos não afetam o caixa da empresa, mas prejudicam o resultado contábil.
O desempenho da Petrobras também foi impactado pela diminuição no preço do petróleo e a redução das margens internacionais no segmento de refino. A produção de petróleo da empresa caiu 3% em 2024, com a produção média diária sendo de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente, em parte devido à manutenção nas plataformas marítimas. Além disso, as vendas de gasolina e diesel caíram 4,1% e 2,8%, respectivamente, e o preço de venda da cesta de derivados também registrou uma queda de 4,6% em comparação com 2023.
Embora o lucro tenha sido significativamente inferior ao esperado pelo mercado, a Petrobras ainda se manteve em uma posição financeira relativamente estável, com um endividamento bruto de US$ 60,3 bilhões, uma redução de 3,8% em relação ao final de 2023. Magda Chambriard destacou que, apesar das dificuldades enfrentadas, a empresa segue com a estratégia de diversificação e ampliação de investimentos, com foco em iniciativas de descarbonização e no retorno ao setor petroquímico, conforme as diretrizes do governo federal.
A empresa segue com a sua política de distribuição de dividendos, alinhada ao fluxo de caixa livre e ao seu planejamento estratégico de reduzir o endividamento. A Petrobras ainda enfrentou volatilidade no mercado de combustíveis, com poucos reajustes ao longo de 2024, o que, segundo analistas, ajudou a minimizar o impacto da alta nos preços do petróleo, especialmente no mercado internacional. A companhia também está investindo em novos projetos, incluindo parcerias para produção de etanol e e-metanol, com o objetivo de fortalecer sua atuação em setores de energia renovável.
Davi Fernandes
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