O BRB controla oito fundos que aparecem na estrutura investigada envolvendo o Banco Master, segundo registros do Banco Central do Brasil. Para fins de análise de risco sistêmico, o BC considera todas as instituições vinculadas ao BRB como um único conglomerado, buscando evitar efeitos em cadeia no sistema financeiro. Seis desses fundos constam nos balanços do Master como tendo participação acionária ou administração, enquanto outros dois integram a rede de fundos apontados como suspeitos. Juntos, esses veículos somam cerca de R$ 8 bilhões em ativos, conforme dados da CVM.
A sobreposição entre fundos do BRB e os identificados na teia do Master é objeto de auditoria externa contratada pelo banco estatal do Distrito Federal. O levantamento busca mapear problemas na relação com o banco ligado a Daniel Vorcaro. Procurados, o BRB, o governador Ibaneis Rocha e o Banco Master não se manifestaram. Entre os investimentos analisados, há operações relacionadas diretamente a Vorcaro e a empresas de pessoas de seu círculo familiar e empresarial.
Um dos casos envolve o fundo imobiliário Supreme Realty, que aplicou R$ 145 milhões na Mgi Desenvolvimento Imobiliário SPE, empresa que tem como diretora Natalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. Ela é casada com Fabiano Zettel, preso pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero. Outro exemplo é o fundo Strelitzia, que detém R$ 452 milhões em participação na A.Life Partners, dona de bares e restaurantes como Nino Cucina e Ninetto, após aquisição de ações realizada em outubro de 2024.
Na operação do Strelitzia, Daniel Vorcaro aparece como interveniente anuente, formalizando o consentimento contratual. A compra das ações foi feita em dinheiro, com cláusula prevendo que os vendedores aplicassem os valores em CDBs do Banco Master, com rendimento de 100% do CDI. Do total pago, R$ 180 milhões foram direcionados a um fundo da XP, que investiu em papéis do Master com vencimento em outubro de 2024, pouco antes da liquidação do banco. Outros R$ 29 milhões ficaram com a própria A.Life, que também adquiriu CDBs do Master com prazo de três anos.
Dois fundos, Texas 1 e Kyra, são citados em investigações do Ministério Público Federal sobre a relação entre o BRB e o Banco Master. Ambos investiram em ações da Ambipar e, junto com um terceiro fundo, chegaram a concentrar 15% do capital da empresa, reduzindo o volume de ações em circulação. As operações levaram a uma valorização acelerada dos papéis em 2024 e também são apuradas pela CVM. No mesmo contexto, o BC vetou a compra de participação do Master pelo BRB após identificar a venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas e, recentemente, decretou a liquidação do Will Bank, que tinha ações do BRB dadas em garantia à Mastercard, resultando na transferência de 6,93% do capital do banco estatal.
Davi Fernandes
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