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Eleições 2022

Entenda como Simone Tebet virou aposta do comando da terceira via

A senadora ganhou fôlego na disputa após o ex-governador João Doria (PSDB) não decolar nas pesquisas.
Por Estadão Conteúdo

Após o vaivém dos partidos identificados como terceira via para a escolha de um candidato único à Presidência neste ano, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), de 52 anos, ganhou o aval dos presidentes de PSDB, MDB e Cidadania nesta quarta-feira, 18. Vista desde o início das articulações como o nome mais estável dentro da lista de postulantes, Tebet ganhou fôlego na disputa após o ex-governador João Doria (PSDB) não decolar nas pesquisas e nem melhorar seu índice de rejeição. Dissidências internas no partido isolaram o tucano ainda mais e deram espaço para a possibilidade de a senadora encabeçar a chapa.

Simone Tebet é graduada e mestre em Direito e ocupa cargos políticos desde 2002. Antes de assumir a cadeira no Senado, foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas, secretária e vice-governadora em seu Estado, o Mato Grosso do Sul.

A senadora se colocou à disposição do MDB para a corrida eleitoral de 2022 após ter atuação destacada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investigou ações do governo de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia. Após uma pergunta de Tebet, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) citou o nome de Ricardo Barros (PP-PR), atual líder do governo Câmara, no suposto esquema na aquisição das vacinas Covaxin.

Em uma sessão da CPI, Tebet foi chamada de “descontrolada” pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, após contestar a atuação do depoente durante a pandemia.

Embora nunca tenha se denominado uma feminista, a senadora defendia ativamente a participação das parlamentares mulheres na comissão.

Com um forte discurso de cunho social, Simone Tebet foi lançada oficialmente como pré-candidata pelo MDB em dezembro.

Crivo

Apesar do aval do comando de MDB, PSDB e Cidadania, a indicação de Simone Tebet ainda precisa passar pelo crivo das executivas nacionais dos três partidos, que devem se reunir na próxima terça-feira, 24.

Em 6 de abril, as legendas, em acordo também com o União Brasil, que acabou desembarcando do grupo no começo deste mês, haviam dito que escolheriam até 18 de maio apenas um candidato, como forma de romper a polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No PSDB, Doria era o pré-candidato natural, por ter vencido as prévias do partido. Seu nome, porém, sofria resistências e o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, derrotado em novembro, ainda se mostrava interessado em concorrer à Presidência - entenda as incertezas sobre a candidatura de Doria aqui. O ex-governador de São Paulo já ameaçou, inclusive, judicializar a disputa interna.

O Cidadania participou do grupo em acordo federativo com o PSDB, de modo que não apresentou candidato próprio. Já os dirigentes do União Brasil rechaçavam a ambição do ex-juiz Sérgio Moro de concorrer ao Planalto e lançaram o próprio presidente da sigla, Luciano Bivar, como pré-candidato. Pressionada por uma ala governista, contudo, a sigla decidiu deixar o grupo. Relembre o histórico da pré-candidatura de Moro aqui.

Potencial

Sem aparecer com projeção eleitoral nas pesquisas, a senadora Simone Tebet chegou ao posto de pré-candidata tentando se desvencilhar da imagem de “boa para vice” - cotejada por mais de um pré-candidato ao cargo. Apesar do desempenho eleitoral, ainda era vista como um nome com potencial na disputa por possuir baixa rejeição se comparada a Doria, segundo as pesquisas de intenção de voto.

Pesquisa Genial/Quaest de abril deste ano, realizada no âmbito nacional, mostra que 80% dos eleitores não conhecem Tebet, ante 21% que dizem não saber quem é João Doria. A rejeição do tucano, por outro lado, é muito maior: 63% dos entrevistados disseram que não votariam nele, enquanto 15% rejeitam a senadora.

Em entrevista ao Estadão em abril, a senadora afirmou que somente uma chapa única de centro seria capaz de impedir a polarização da disputa. Na ocasião, disse que não tinha “plano B”, de ser vice. Eu sou pré-candidata a presidente. Temos apenas uma bala de prata, que será dada por pesquisa qualitativa”, afirmou

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