O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), negou nesta terça-feira (21), em entrevista ao GP1, que existam divergências com o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, sobre a escolha do nome que ocupará o cargo de vice na chapa majoritária do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2026.
Fonteles afirmou que o tema eleitoral não está em pauta no momento e destacou que mantém uma relação de plena harmonia com o ex-governador. “Não estamos tratando de eleições, eu só vou tratar em 2026, mas não há nenhuma divergência minha com o ministro Wellington em nenhum aspecto”, declarou Rafael Fonteles.
PT quer evitar disputa interna entre Rafael Fonteles e Wellington Dias
Apesar das declarações públicas de que o partido não pretende antecipar as discussões eleitorais, lideranças da sigla têm buscado formas de assegurar uma convivência política equilibrada entre Rafael Fonteles e Wellington Dias, principalmente diante das especulações sobre o cenário de 2030. A preocupação é que, a médio prazo, o governador e o ministro acabem em lados opostos de uma disputa dentro do próprio partido.
Durante a primeira reunião com a nova executiva estadual do PT, agora sob a presidência do deputado estadual Fábio Novo, Rafael Fonteles apresentou o nome do secretário de Educação, Washington Bandeira, como sua indicação para vice em 2026. O encontro foi considerado longo e detalhado, e segundo informações apuradas pelo GP1, o governador defendeu a escolha como a mais adequada para a continuidade do projeto político que lidera no Estado.
A proposta, no entanto, não foi totalmente assimilada por parte da ala mais tradicional do PT, conhecida como “PT raiz”. Esse grupo avalia que a indicação de Bandeira representa um movimento de renovação dentro da sigla e pode significar uma tentativa de Fonteles de preparar um sucessor, o que abriria caminho para novos rearranjos políticos no futuro. Há também a leitura de que, ao projetar Bandeira, o governador estaria sinalizando uma reorganização interna que altera o equilíbrio de forças históricas do partido.
Fonteles, por sua vez, tem afirmado a aliados que não pretende disputar o Senado em 2030 e que não se enxerga com perfil para essa função. Pessoas próximas ao governador, ouvidas pela reportagem, destacam que o petista pode entrar no radar nacional do partido para assumir novos desafios em âmbito federal. Ainda assim, dentro do diretório estadual, alguns dirigentes chegaram a questionar se ele avaliaria outros nomes para a vice, mas Fonteles manteve a indicação de Washington Bandeira, argumentando que o secretário de Educação é, em sua visão, o mais preparado para compor a chapa majoritária.
Caroline Vitorino
Davi Fernandes
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