Devido ao afastamento de Robert Brown , a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nomeou Hélio Cury Filho , presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF) como administrador provisório da Federação de Futebol do Piauí ( FFP ). O mandato dura 90 dias, com base no art. 142 do Estatuto da CBF.
A nomeação ocorreu após o ajuizamento do Ministério Público do Estado do Piauí , que requereu o afastamento de Robert Brown, que solicitou formalmente sua saída temporária por motivos de saúde. Conforme suas atribuições estatutárias e responsabilidades de supervisão sobre as federações estaduais, a CBF decidiu adotar medida administrativa cautelar para assegurar a continuidade das atividades da FFP.
Hélio Cury exercerá as funções ordinárias de gestão da Federação de Futebol do Piauí durante o período de transição, mantendo a CBF informada sobre todas as ações adotadas no âmbito da Federação e a normalidade de sua gestão e o atendimento regular às demandas do futebol piauiense.
Hélio Cury Filho
Filho do ex-mandatário da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Hélio Cury, o administrador provisório da FFP assumiu o cargo como presidente da FPF em abril de 2023, e fez parte da chapa "Confiança e Inovação", que obteve 61 votos.
Advogado, Hélio Cury Filho tem especialização em Gestão Esportiva e trabalha como assessor jurídico na Câmara Municipal de Curitiba. Ele também tem passagens pela Itaipu Binacional e Prefeitura e Curitiba.
Filho, inclusive, trabalhou na gestão do pai entre 2010 e 2014 por serviços de assessoria jurídica. Ele acabou dispensado do cargo após a Medida Provisória 671/2015, que foi convertida na Lei nº 13.155 (PROFUT), em agosto de 2015. No capítulo III, o texto coloca como “gestão temerária” a contratação pelas entidades de parentes e empresas de parentes até terceiro grau.
Entenda o caso
O Ministério Público do Estado do Piauí ingressou com ação civil pública pedindo intervenção judicial na Federação de Futebol do Piauí (FFP) e o afastamento do presidente da entidade, Robert Brown Carcará. Na petição, ajuizada na última segunda-feira (1º), o promotor de Justiça José Reinaldo Leão Coelho afirmou que o futebol piauiense “se encontra sob risco iminente de colapso administrativo e fiscal devido à conduta de seus atuais gestores”.
A ação judicial, que também mira o Instituto de Futebol do Piauí (IFP) e seu presidente, Daniel Lima Araújo, é resultado de uma análise técnica e documental realizada no âmbito de um procedimento administrativo.
Foi anexado aos autos do processo um relatório de auditoria independente elaborado pela empresa Steiner & Steiner Auditores Associados, datado de 11 de novembro de 2025. Segundo o promotor José Reinaldo, o laudo técnico constatou, com base nos documentos contábeis, um estado de coisas que torna incompatível a atual gestão com a continuidade da administração dos recursos públicos e privados do futebol piauiense.
O representante ministerial destacou cinco irregularidades identificadas: incongruência patrimonial; risco fiscal e divergências declaratórias; tentativa de indução a erro; simbiose operacional; e um “apagão” documental de R$ 4,4 milhões.