O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não vai pressionar pela deposição de Nicolás Maduro na Venezuela. Ele ressaltou que um conflito militar provocado pelos Estados Unidos colocaria a América do Sul em cenário semelhante ao da Guerra do Vietnã.
No entendimento de Amorim, o próprio Maduro deve tomar a decisão de ficar ou não no comando da Venezuela e, portanto, o Brasil não deve fazer imposições nesse sentido.
“Se Maduro chegar à conclusão de que deixar [o poder] é a melhor coisa para ele e a melhor coisa para a Venezuela, será a sua conclusão. O Brasil nunca imporá isto, nunca dirá que isto é uma exigência. Não vamos pressionar para que Maduro renuncie ou abdique”, frisou o assessor em entrevista ao jornal The Guardian, publicada nessa segunda-feira (8).
Amorim demonstrou preocupação com a escalada do conflito entre EUA e Venezuela. “Se houvesse uma invasão, uma invasão de verdade, sem dúvida veríamos algo semelhante ao Vietnã, em que escala, é impossível dizer”, completou.
O assessor especial acredita que um ataque poderia criar o sentimento anti-EUA na América Latina e unir figuras contra uma interferência externa.
Asilo a Maduro
Celso Amorim foi indagado sobre a hipótese de o Brasil conceder asilo político a Nicolás Maduro. Ele não descartou a possibilidade, mas ressaltou que o governo não pretende entrar nesse debate. “No entanto, o asilo é uma instituição latino-americana para pessoas tanto de direita quanto de esquerda”, concluiu.
Thais Guimarães
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