A trégua celebrada como um marco diplomático pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve um início turbulento nesta terça-feira (24), com Israel e Irã trocando acusações de violar o cessar-fogo horas após sua entrada em vigor.
De acordo com autoridades israelenses, o Irã teria lançado mísseis contra o território israelense na manhã desta terça, ação que foi prontamente interceptada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI). Apesar de não haver registro de vítimas, o ataque foi considerado uma "completa violação" do acordo, segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz.
“Ordenei às FDI, em coordenação com o primeiro-ministro, que continuem com intensa atividade de ataque contra Teerã para frustrar os alvos do regime e as infraestruturas terroristas”, declarou Katz, que ainda ameaçou atingir "o coração de Teerã".
Segundo o Exército de Israel, os alarmes de ataque soaram no norte do país logo após o governo de Benjamin Netanyahu anunciar a adesão ao cessar-fogo, alegando que o país já havia atingido seus principais objetivos na ofensiva de 12 dias: enfraquecer o programa nuclear iraniano e neutralizar a ameaça representada pelos mísseis balísticos.
Em resposta, o porta-voz militar israelense, Effie Defrin, afirmou que as forças armadas permanecerão em “alto nível de alerta” e prontas para responder “a qualquer violação”. Ele também declarou que Israel cumpriu “integralmente todos os objetivos definidos” na operação.
Irã nega ataque e acusa Israel de romper a trégua
Teerã, no entanto, negou qualquer violação de sua parte e afirmou que foi Israel quem descumpriu o cessar-fogo minutos após o acordo entrar em vigor. Segundo o porta-voz do Comando Unificado de Operações do Irã, Khatam al-Anbiya, “o regime agressor sionista atacou centros em solo iraniano em três ondas até às 9h (horário local)”.
De acordo com os termos do cessar-fogo anunciado por Trump, o armistício teria início às 7h em Israel e às 7h30 no Irã (1h da manhã em Brasília). O Irã afirma que os ataques israelenses ocorreram após esse horário.
Trump celebra trégua, mas crise persiste
A trégua foi anunciada por Donald Trump na noite de segunda-feira (23), por meio da Truth Social. O presidente dos EUA comemorou o feito afirmando que os dois países haviam aceitado um “CESSAR-FOGO total”, após completarem “suas missões finais”. “PARABÉNS A TODOS!”, escreveu.
Segundo fontes da Casa Branca ouvidas pela CNN, Trump negociou diretamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enquanto membros de seu governo, como o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, conduziram conversas com os iranianos.
A tensão, no entanto, já era alta antes mesmo do cessar-fogo entrar em vigor. Horas antes do anúncio, um míssil iraniano atingiu um prédio residencial em Beer Sheva, no sul de Israel, deixando ao menos quatro mortos.
Com acusações de ambos os lados e ameaças de retaliação, o futuro da trégua permanece incerto. Especialistas temem que o acordo mediado pelos Estados Unidos não resista caso novos ataques voltem a ocorrer nas próximas horas.
Caroline Vitorino
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