Mais de cem ONGs (organizações não governamentais) assinaram uma carta conjunta pedindo o fim da interferência de Israel na entrega de insumos básicos. A maioria das organizações humanitárias internacionais alega que não consegue “entregar um único caminhão de suprimentos vitais” desde 2 de março. A denúncia surge em meio ao alerta sobre a crise de fome que assola a Faixa de Gaza.
Segundo a carta, as autoridades israelenses rejeitaram o pedido de dezenas de ONGs para levar ajuda. Apenas em julho, 60 solicitações foram negadas. Essa obstrução deixou “hospitais sem suprimentos básicos” e “crianças, pessoas com deficiência e idosos morrendo de fome e de doenças evitáveis”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que já havia negado a existência de uma política de fome em Gaza, afirmou que as alegações são falsas e que “a realidade é completamente diferente”. “O suposto atraso na entrada de ajuda ocorre apenas quando as organizações optam por não atender aos requisitos básicos de segurança destinados a impedir o envolvimento do Hamas”, disse o COGAT (Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios) de Israel, em comunicado publicado na rede social X.
De acordo com dados da IPC (Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar), mais de 20 mil crianças foram internadas para tratamento de desnutrição aguda entre abril e meados de julho, sendo mais de 3 mil em estado grave. A ONU já alertou que o “pior cenário de fome” está se aproximando em Gaza.
Maria Luísa Veloso
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