A eventual adesão do Brasil ao Conselho de Paz idealizado pelos Estados Unidos passou a ser vista com cautela após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender, em conversa telefônica com Donald Trump na segunda-feira (26), que a iniciativa tenha atuação limitada à Faixa de Gaza e inclua um representante da Autoridade Palestina.
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro ainda não confirmou participação no conselho e aguarda um posicionamento de Washington sobre essas condições. Uma fonte do Executivo ouvida pela agência Reuters afirmou que a expectativa é de que os Estados Unidos não aceitem a presença palestina, o que pode levar o Brasil a declinar do convite de maneira diplomática.
Segundo a mesma fonte, a criação de um conselho sem a participação palestina entraria em conflito com resoluções já aprovadas pela Organização das Nações Unidas. O governo brasileiro também demonstra preocupação com a possibilidade de os EUA tentarem esvaziar ou substituir o papel da ONU em processos de mediação internacional.
Durante a ligação, Lula reiterou a defesa de uma ampla reforma da ONU, especialmente no que diz respeito à ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança — uma reivindicação histórica do Brasil diante das limitações do órgão para lidar com conflitos como o da Faixa de Gaza.
Trump, por sua vez, afirmou que o novo conselho atuaria em articulação com a ONU, mas deixou claro que os Estados Unidos teriam poder de veto sobre as decisões, conforme relatou o governo brasileiro. A conversa, que durou cerca de 50 minutos, também abordou temas como a situação política na Venezuela, o enfrentamento ao crime organizado e a possibilidade de uma visita de Lula aos Estados Unidos.
Apesar das divergências em torno do Conselho de Paz e de críticas públicas recentes feitas por Lula a Trump, integrantes do governo avaliam que o diálogo entre os dois líderes segue em tom cordial. O Palácio do Planalto informou ainda que ficou acertada uma visita oficial de Lula aos EUA no primeiro semestre, possivelmente em março, após compromissos na Índia e na Coreia do Sul.
Rodrigo Mendes
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