Cilia Adela Flores de Maduro, advogada e esposa de Nicolás Maduro, consolidou-se ao longo das últimas décadas como uma das figuras centrais do regime venezuelano. Conhecida por Maduro como “primeira-combatente”, em rejeição ao termo primeira-dama, ela ganhou projeção política própria ao presidir a Assembleia Nacional e atuar nos bastidores do poder chavista. Presa ao lado do marido em uma operação americana no sábado (3), Cilia agora enfrenta a Justiça dos Estados Unidos sob acusações que incluem narcotráfico e lavagem de dinheiro.
Durante sua passagem pela presidência do Parlamento, Cilia foi alvo de duras críticas por empregar mais de 40 parentes em cargos públicos, prática que opositores batizaram de “jardim de Cilia”. Longe de negar o nepotismo, ela declarou publicamente orgulho em nomear familiares, muitos dos quais foram apenas realocados para outras funções após sua saída do cargo, mantendo influência dentro do regime. Esse poder informal lhe rendeu apelidos como “Lady Macbeth” e “Bruxa Escarlate” na imprensa internacional.
Nascida em Tinaquillo, no interior da Venezuela, Cilia veio de uma família humilde e iniciou a vida profissional como escrivã de polícia antes de se formar em Direito, com especialização penal e trabalhista. Conheceu Maduro nos anos 1990, durante o processo de libertação de Hugo Chávez, e desde então construiu uma carreira política paralela, sendo eleita deputada em 2000 e tornando-se, em 2006, a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional.
A família Flores também esteve no centro de escândalos internacionais, como o caso dos chamados “narco-sobrinhos”, condenados por tráfico de drogas nos EUA. Além disso, Cilia é acusada de exercer controle sobre o Judiciário, enriquecer por meio de redes de influência e minar a democracia venezuelana, o que resultou em sanções do Canadá, dos Estados Unidos e de outros países. Mesmo assim, Maduro sempre a defendeu publicamente, transformando a frase “não se meta com Cilia” em um símbolo da blindagem política do casal no poder.
Caroline Vitorino
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