Uma reportagem da BBC News Brasil revelou que documentos tornados públicos pelo governo dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein indicam que o interesse do financista pelo Brasil ia além de sua relação com modelos e das acusações envolvendo uma rede de exploração sexual que incluía brasileiras.
Segundo a BBC News Brasil, foi identificado um CPF registrado no Brasil em nome de Epstein junto à Receita Federal, criado durante o Governo Lula em 2003. A documentação aponta ainda a existência de um e-mail em que ele considera “interessante” a sugestão de buscar cidadania brasileira. Apesar disso, não há registros de que ele tenha efetivamente se naturalizado no país.
Os materiais divulgados — que incluem e-mails, extratos bancários e outros arquivos — também mostram que Epstein contava com consultores responsáveis por acompanhar o cenário econômico brasileiro e sugerir possíveis investimentos relacionados ao país.
As mensagens indicam ainda que ele demonstrava interesse em se aproximar de empresários de destaque no Brasil, como Eike Batista, Jorge Paulo Lemann e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Segundo a BBC News Brasil, os nomes aparecem nos documentos citados por terceiros como figuras influentes no ambiente econômico nacional.
Sobre o CPF brasileiro, a BBC News Brasil apurou que o cadastro foi feito em 2003, durante o primeiro mandato do presidente Lula, conforme informações da Receita Federal, com a mesma data de nascimento do financista e situação considerada regular. O ano coincide com trocas de e-mails entre Ghislaine Maxwell — posteriormente condenada por aliciamento de menores — e um empresário brasileiro, tratando de uma possível viagem do casal ao Brasil entre o fim de 2002 e o início de 2003.
A simples menção a nomes ou a inclusão de imagens nos arquivos divulgados não significa envolvimento em irregularidades. Não foram localizados documentos que comprovem encontros ou negócios entre Epstein e os empresários citados. Procurados pela reportagem, Fraga, Batista e Lemann afirmaram que não se reuniram nem mantiveram qualquer relação comercial com Epstein, que morreu em 2019, em uma prisão em Nova York.
Rodrigo Mendes
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