O Irã confirmou neste domingo que realizará, na próxima terça-feira (17), em Genebra, a segunda rodada de negociações sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, em entrevista à BBC, em Teerã. Segundo ele, “a bola está no campo dos EUA” e, caso haja sinceridade nas tratativas, um acordo poderá ser alcançado.
Takht-Ravanchi afirmou que o Irã não aceita a exigência americana de enriquecimento zero de urânio, considerada uma “linha vermelha”, mas disse que o país está disposto a avaliar compromissos, desde que Washington discuta a suspensão das sanções. Teerã considera que a interrupção total do enriquecimento viola seus direitos previstos no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Questionado sobre a retirada dos mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, o diplomata afirmou que ainda é cedo para definir os próximos passos.
Dias antes, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, declarou que o país poderia diluir esse material caso todas as sanções fossem suspensas. Já Takht-Ravanchi reforçou que o programa de mísseis balísticos não faz parte das negociações, por ser considerado essencial para a defesa nacional, especialmente após recentes conflitos envolvendo Israel e os EUA.
As declarações ocorrem em meio à pressão do presidente norte-americano Donald Trump, que defendeu recentemente uma mudança de regime no Irã e anunciou o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio. Apesar disso, Trump tem afirmado que prefere uma solução diplomática, embora não descarte ações militares.
As conversas foram retomadas em 6 de fevereiro, sob mediação de Omã, após a chamada “guerra de 12 dias” entre Teerã e Tel Aviv. O primeiro encontro foi classificado como positivo por ambas as partes, apesar das divergências sobre o apoio iraniano a grupos como o Hezbollah e o Hamas, tema criticado pelos Estados Unidos.
Proposta de benefícios econômicos
Além das questões nucleares, o Irã também busca incluir vantagens econômicas no acordo. O vice-ministro Hamid Ghanbari afirmou que, para garantir a sustentabilidade do pacto, os EUA devem se beneficiar de setores estratégicos iranianos, como petróleo, gás, mineração e até da compra de aeronaves americanas. Ele também defendeu a liberação efetiva dos ativos iranianos bloqueados no exterior.
Segundo Ghanbari, a liberação desses recursos precisa ser “real e utilizável”, e não apenas simbólica. A expectativa de Teerã é que as negociações em Genebra avancem tanto na área nuclear quanto no campo econômico, abrindo caminho para um acordo mais amplo entre os dois países.
Caroline Vitorino
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