O governo do Irã sinalizou que pode reduzir o nível de enriquecimento de seu estoque de urânio, atualmente em 60%, desde que todas as sanções impostas ao país sejam suspensas. A possibilidade foi mencionada pelo chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, em declaração divulgada nesta segunda-feira (9) pela agência estatal IRNA.
Segundo Eslami, a diluição do material estaria condicionada à retirada total das sanções, embora ele não tenha especificado se a exigência se refere apenas às restrições aplicadas pelos Estados Unidos ou também às sanções internacionais ainda em vigor.
De acordo com a imprensa internacional, a proposta foi discutida durante negociações indiretas realizadas na última sexta-feira (9), em Omã, entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff. As conversas resultaram em um entendimento para manter o diálogo aberto, apesar de autoridades iranianas admitirem que a desconfiança entre as partes permanece alta.
Antes da guerra ocorrida em junho do ano passado, o Irã possuía mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido, conforme dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Após o conflito, no qual instalações nucleares iranianas foram atingidas por ataques dos Estados Unidos e de Israel, o paradeiro desse material passou a ser incerto, já que os inspetores da ONU haviam registrado sua localização poucos dias antes do início dos bombardeios.
A AIEA avalia que os ataques comprometeram de forma relevante a capacidade de enriquecimento do país, mas alerta que o Irã teria condições de retomar o processo em um intervalo de poucos meses. Atualmente, segundo o órgão, o Irã é o único signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear a enriquecer urânio nesse patamar.
Rodrigo Mendes
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