As buscas por Ágatha Isabelle Reis Lago, de 5 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4, entram no décimo dia nesta terça-feira (13), na zona rural de Bacabal, no Maranhão. As crianças desapareceram no povoado quilombola São Sebastião dos Pretos no último domingo (04). Até o fechamento desta matéria, não haviam sido localizadas.
A operação permanece concentrada em áreas de mata fechada e de difícil acesso, com atuação de mais de 200 agentes das forças de segurança, além de voluntários da própria comunidade. Helicópteros, drones com sensores térmicos, cães farejadores e equipes terrestres seguem mobilizados.
Cronologia do caso
No domingo (04), os irmãos Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, e o primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, saíram de casa para brincar em uma área de mata próxima ao povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, e não retornaram. Ao perceberem a ausência prolongada, familiares acionaram as autoridades, e as primeiras buscas foram iniciadas ainda no domingo, com apoio de moradores da comunidade.
Na segunda-feira (05), a Polícia Civil deu início formal às investigações. A mãe, o padrasto e a avó das crianças prestaram depoimento na Delegacia de Bacabal e foram liberados após os esclarecimentos iniciais. Paralelamente, equipes do Comando de Operações de Sobrevivência em Área Rural (Cosar), da Polícia Militar do Maranhão, intensificaram as buscas em regiões de mata fechada e áreas alagadas.
Na quinta-feira (08), voluntários localizaram um short e uma sandália em meio à vegetação. Após análise, a Polícia Civil confirmou que os objetos pertenciam a Anderson Kauã, que, no mesmo dia, foi encontrado com vida por carroceiros que transitavam pela região. O menino foi encaminhado ao hospital, onde permanece internado, em estado de choque, recebendo cuidados médicos e acompanhamento psicológico.
Já no domingo (11), novas peças de roupas infantis e uma xícara de porcelana foram encontradas por voluntários próximas a uma grota, em uma área de mata alta. A Perícia Oficial retornou ao povoado para analisar o material, enquanto a Polícia Civil manteve as informações sob sigilo para não comprometer as investigações.
No dia seguinte, segunda-feira (12), a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que, após checagem, os itens encontrados não pertenciam a Ágatha nem a Allan, e que as buscas foram ampliadas para outras áreas, especialmente nas proximidades de onde Anderson foi localizado.
Nesta terça-feira (13), as buscas chegaram ao décimo dia, com a força-tarefa atuando em uma área estimada em 10 mil quilômetros quadrados, composta por mata fechada, trilhas naturais e lagos. As autoridades destacam os riscos do terreno, como a presença de armadilhas de caça e a ausência de energia elétrica. Até o fechamento desta atualização, Ágatha Isabelle e Allan Michael continuam desaparecidos.
O que se sabe até agora
Após ser encontrado, Anderson Kauã, de 8 anos, apresentou versões diferentes sobre o desaparecimento dos primos, em momentos distintos do atendimento. No primeiro relato, feito ainda em estado de fragilidade física e confusão emocional, o menino mencionou que Ágatha e Allan poderiam estar em um possível cativeiro, sob a responsabilidade de uma mulher apontada por ele como “Gorda”. Segundo ele, essa mulher seria “má” e teria alimentado as crianças apenas com mangas. Anderson também teria dito, de forma breve, que os primos estariam “mais à frente”. Essas informações, no entanto, não foram confirmadas oficialmente e passaram a ser tratadas com cautela pelas autoridades.
Após receber atendimento médico e acompanhamento psicológico, o menino prestou um novo relato aos pais e às equipes responsáveis pela investigação. Desta vez, afirmou que não houve sequestro. Segundo a versão considerada oficial até o momento, ele contou que ele e os primos entraram sozinhos na área de mata e acabaram se perdendo. Durante uma chuva, teriam buscado abrigo, e Anderson relatou que deixou os dois irmãos mais novos em uma casa abandonada localizada no meio da mata enquanto saiu para procurar ajuda. Ao tentar retornar ao local, afirmou não ter encontrado mais as crianças e disse não se recordar do que aconteceu em seguida.
As autoridades seguem analisando os relatos, levando em conta o estado emocional da criança no momento de cada declaração, e mantêm as informações sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações.
Caroline Vitorino
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