As buscas por Isabelle, de 6 anos, e Michael, de 4, completam quase duas semanas sem desfecho no quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão. As crianças desapareceram na tarde do dia 4 de janeiro, após saírem de casa para brincar, e desde então uma grande mobilização envolve forças de segurança, voluntários e órgãos estaduais.
Nesta quinta-feira (15), as equipes concentraram esforços na varredura do lago Limpo, situado nas proximidades da área onde o trio foi visto pela última vez. Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros participam da ação, que busca identificar qualquer vestígio que possa indicar o paradeiro das crianças. Segundo o comandante-geral da corporação, Célio Roberto e Araújo, o objetivo é esgotar todas as possibilidades na região.
O trabalho, no entanto, enfrenta dificuldades adicionais por conta das condições climáticas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo de chuvas intensas para Bacabal, com previsão de precipitações que podem chegar a 50 milímetros por dia, além de ventos de até 60 km/h, o que pode comprometer parte das buscas em áreas alagadas e de mata.
Primo encontrado com vida
No dia do desaparecimento, Isabelle e Michael estavam acompanhados do primo Anderson Kauan, de 8 anos. Ele foi localizado com vida no dia 7 de janeiro, em uma área de mata fechada, a cerca de quatro quilômetros, em linha reta, do ponto inicial das buscas. O menino apresentava sinais de exaustão, estava sem roupas, pediu água e demonstrava confusão, perguntando pelo pai.
Questionado pelas equipes, Anderson afirmou apenas que os primos estariam “mais à frente”. As buscas foram intensificadas nas imediações indicadas, mas até o momento Isabelle e Michael não foram encontrados. Anderson foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal, onde permanece internado, acompanhado pelos pais e recebendo atendimento médico e psicológico, conforme informou o prefeito Roberto Costa.
Operação reforçada
Desde os primeiros dias, a operação ganhou proporções cada vez maiores. Atualmente, cerca de 200 agentes das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros atuam diretamente nas buscas, além de aproximadamente 100 voluntários da própria comunidade. Helicópteros, drones e cães farejadores também são utilizados.
Após solicitação da prefeitura e do Governo do Estado, o Exército Brasileiro e a Polícia Militar Ambiental passaram a integrar a força-tarefa. Ao todo, 26 militares do Batalhão de Infantaria de Selva e 15 policiais ambientais reforçam as ações na região. O prefeito de Bacabal afirmou que os trabalhos não serão interrompidos. “Não vamos parar até encontrar Isabelle e Michael”, declarou.
Investigação e cronologia
Ao longo dos dias, diversos objetos foram localizados durante as buscas, incluindo roupas infantis. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que parte desse material não pertence às crianças desaparecidas. Na terça-feira (13), o governador Carlos Brandão afirmou que exames periciais descartaram qualquer indício de violência sexual contra Anderson Kauan. Segundo ele, o menino segue sob acompanhamento multiprofissional e passa por escuta especializada no Instituto de Perícia da Criança e do Adolescente.
Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre possíveis novos relatos do menino que ajudem a esclarecer o destino dos primos.
Recompensa e apelo
Desde o dia 9 de janeiro, a Prefeitura de Bacabal oferece uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações que levem à localização de Isabelle e Michael. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo número 181 ou diretamente à coordenação da força-tarefa no município.
Mesmo após mais de 11 dias de buscas ininterruptas, o desaparecimento das crianças segue sem respostas. Enquanto isso, familiares, moradores e equipes de resgate continuam percorrendo a região na esperança de encontrar qualquer pista que ajude a esclarecer o caso.
Rodrigo Mendes
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