As juízas Marcelle Adriane Farias Silva, Edilza Barros Ferreira Lopes Viégas e Maria da Conceição Privado Rêgo, da Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados, do Tribunal de Justiça do Maranhão, determinaram o bloqueio de até R$ 197,1 milhões em bens e ativos financeiros pertencentes a investigados na terceira fase da Operação Barão Vermelho, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Maranhão, no qual tem o empresário Josimar Barbosa de Sousa, dono da Barão Veículos, como um dos alvos.
A medida atinge imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e contas bancárias ligadas a pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de capitais com atuação no Piauí, Maranhão e Paraíba. O valor corresponde ao montante máximo calculado pelas autoridades a partir das movimentações financeiras consideradas ilícitas.
Bloqueio de R$ 197 milhões
O bloqueio judicial de até R$ 197,1 milhões, determinado pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados do Maranhão na terceira fase da Operação Barão Vermelho, atinge tanto pessoas físicas quanto jurídicas ligadas ao esquema de lavagem de capitais investigado. Entre os alvos estão Edney de Sousa, Josimar Barbosa de Sousa, dono da Barão Veículos, Kaique Lucas Cardoso de Carvalho e Francisco Fernandes de Abreu, conhecido como “Fernando”.
A decisão também abrange familiares e associados de Josimar, como Tereza Cristina de Sousa Pacheco Barbosa, Caio Felipe Pacheco Fortunato e Angélica Florinda Pacheco Barbosa de Sousa. Além deles, foram incluídos Matheus Altino Ribeiro, Ednardo Lázaro Viana de Oliveira, Francis Helen Lopes Silva, Josiel Meneses de Carvalho Júnior, Daniel Martins da Silva Viana, apelidado de “Neguim Daniel”, Jocile Cardoso do Nascimento, Dayrlane Vilarinho e Silva e Regilane Pereira de Sousa.
No campo empresarial, o bloqueio atinge a Atlanta Construtora Ltda, a ACF Comércio e Serviços Automotivos Ltda-ME, conhecida como Casa dos Acessórios, a Mais Saúde Eireli e a Teresina Móveis Planejados. De acordo com a decisão, a medida recai sobre imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e contas bancárias em nome dos investigados, ainda que parte desses bens esteja registrada em nome de terceiros, assegurando a indisponibilidade dos recursos até o limite de R$ 197.100.536,91.
Prisão preventiva dos alvos
A decisão judicial, assinada dia 29 de agosto, determinou a prisão preventiva de Josimar, Edney, Kaique e Francisco Fernandes, que foram apontados como integrantes centrais da rede criminosa e que foram presos dia 3 de setembro pelo GAECO-MA.
De acordo com as investigações, os suspeitos movimentavam grandes quantias de dinheiro por meio de empresas de fachada e de transferências entre pessoas físicas, numa tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores. Josimar, por exemplo, declarava renda mensal de apenas R$ 4 mil, mas controlava transações milionárias por meio das empresas Barão Veículos e ACF Comércio.
As autoridades também autorizaram buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados, com a finalidade de recolher documentos, aparelhos eletrônicos e registros que possam servir como prova. Foram alvos das diligências imóveis em Teresina, Timon e João Pessoa, incluindo residências, escritórios e estabelecimentos comerciais. O material apreendido é analisado pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil do Maranhão, que ficará responsável por extrair dados de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos.
Na decisão, as magistradas pontuaram que a investigação identificou uma organização criminosa estruturada, que atuava não apenas na lavagem de capitais, mas também em tráfico de drogas, falsificação de documentos de veículos, receptação de cargas roubadas e até agiotagem. A análise de movimentações bancárias mostrou que empresas de ramos distintos realizavam transações entre si e com pessoas físicas investigadas, o que reforçou a suspeita de dissimulação de recursos. O grupo já havia sido alvo de outras operações, como a Denarc 64, deflagrada em 2024.
Primeira fase da operação
Na primeira fase da Operação Barão Vermelho, realizada em março de 2023, a empresa Barão Veículos já havia sido interditada, após a identificação de movimentações financeiras atípicas. Na ocasião, a polícia apreendeu veículos, joias e uma arma de fogo na casa do gerente da loja. O caso foi um desdobramento da Operação Mormaço, de 2021, que também investigava lavagem de dinheiro ligada a facções criminosas.
Com a nova fase, além das prisões e do bloqueio de bens, foram interditadas três empresas e determinada a indisponibilidade de ativos financeiros em bancos e instituições do país. As ordens judiciais também autorizam a averbação de indisponibilidade em cartórios de imóveis de Teresina e Timon, impedindo a negociação de propriedades.
Davi Fernandes
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