Economia e Negócios

André Brandão assume Banco do Brasil a partir da próxima semana

Futuro presidente terá que lidar com desgaste de Guedes e a pressão de Bolsonaro por mais lucros, enquanto tenta avançar com a digitalização do BB - área na qual os bancos privados estão à frente.

Por  Estadão Conteúdo

O aguardado embarque de André Brandão na presidência do Banco do Brasil está recheado de desafios e neste primeiro momento o maior deles talvez seja o político, ao chegar num ambiente de intenso desgaste do ministro da Economia, Paulo Guedes, frente à pressão para aumento dos gastos públicos. Até aqui discreto, o executivo, que fez carreira no setor privado e nos últimos anos no banco britânico HSBC, deve assumir o BB a partir da próxima semana, sem muita pompa.

Nenhum grande evento de posse foi confirmado até agora. Esse tempo maior para sentar na cadeira de presidente do BB foi necessário por causa das burocracias de seu desligamento do antigo emprego, além de sua mudança de volta ao Brasil, prevista para até o fim desta semana, depois dos últimos anos morando nos Estados Unidos.

Agora, como presidente do Banco do Brasil, Brandão se deparará com os anseios do presidente Jair Bolsonaro e do governo, que é acionista controlador com 50% de suas ações. Uma missão já dada é a de continuar melhorando o retorno da instituição, com o desafio adicional de fazer isso em plena corrida pela digitalização, na qual os bancos privados estão à frente. No segundo trimestre, o BB entregou um retorno sobre o patrimônio de 11,9%, inferior aos 12,5% do primeiro trimestre e dos 17,6% do mesmo período do ano passado. Suas ações acumulam queda de 38% este ano.

Foi com o argumento de que o banco precisaria de um líder mais jovem para fazer a transformação digital que Rubem Novaes anunciou a saída da presidência do BB. Embora a instituição busque sempre oferecer a seus clientes a maioria das opções de serviços que vieram com a inovação tecnológica, o BB está relativamente atrasado em relação a seus concorrentes, por exemplo, na criação de um ecossistema de inovação a partir do fomento das fintechs. A pandemia de covid-19 aumentou esse senso de urgência. O PIX, sistema de transferência digital e instantânea capitaneada pelo Banco Central, entra em funcionamento em novembro e a primeira fase do open banking na sequência.

Os primeiros passos para estar mais perto das fintechs já foram dados. Ao divulgar o balanço do segundo trimestre, o BB anunciou o destino de R$ 200 milhões para o Programa de Investimento em Startups, a fim de acelerar o desenvolvimento de novas soluções, e de R$ 2,3 bilhões em tecnologia e análise de dados. Uma das maiores dificuldades do banco em termos de tecnologia está na retenção de profissionais. A maioria das contratações feitas pelo BB tem uma única porta de entrada, feitas por meio de concursos e de pessoas para serem formadas na casa. Depois do tempo investido nesses profissionais, o BB perde parte deles para a concorrência.

Privatização

Uma coisa é certa. Brandão deve se afastar, por enquanto, das discussões sobre a privatização do BB, que trouxeram desgaste a seu antecessor Rubem Novaes, e insatisfação em várias instâncias dentro do próprio banco. Aparentemente, Brandão terá de exercitar sobretudo flexibilidade e política, e não somente ocupar a cadeira do gestor das contas e das estratégias do maior banco brasileiro.

Mas se a privatização em si não será um caminho a ser tomado, alguns desinvestimentos podem ocorrer, como tem feito a Caixa Econômica Federal, que desde o ano passado vendeu participação em uma série de companhias e planeja, ainda, levar algumas de suas subsidiárias à bolsa, como a Caixa Seguridade.

A atuação da Caixa, comandada por Pedro Guimarães, vem chamando atenção do próprio Bolsonaro, que com frequência aparece ao lado do executivo. O BB, por sua vez, teve como desinvestimento de peso levar a BB Seguridade para a bolsa brasileira em 2013.

Dentre as vendas mais recentes, o BB se desfez de sua fatia no IRB Brasil Re e na Neoenergia, mas a expectativa é de que abra mão de outros negócios, como o BB Americas, sua filial nos Estados Unidos. Fora isso, estaria na mesa a venda da gestora de créditos vencidos, a Ativos, e de sua filial na Argentina, o Banco Patagônia, do qual o BB detém 80,38%. Havia planos pendentes também para o BB DTVM, gestor de recursos, para um desinvestimento ou uma parceria estratégia em modelo semelhante ao conduzido com o UBS na área de banco de investimento.

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