Elesbão Veloso - PI

Familiares e amigos prestam últimas homenagens a Rayron Holanda

O jovem, vítima de um latrocínio, tinha 22 anos e foi morto com um tiro no peito durante um assalto em Teresina.

Andressa Martins
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
Débora Dayllin
Teresina
- atualizado

Comoção e revolta marcam velório de Rayron Holanda

Familiares e amigos prestam as últimas homenagens ao estudante de Medicina Antônio Rayron Soares de Holanda, vítima de um latrocínio no último domingo. O velório do jovem está acontecendo nesta segunda-feira (26) cidade de Elesbão Veloso, cidade natal de Rayron. O sepultamento acontecerá no Cemitério da Sambaiba.

O estudante, de 22 anos, morava em Teresina desde os 13. A vinda para capital teve um único propósito: cursar Medicina na Universidade Federal do Piauí (Ufpi). Os sonhos de Rayron foram interrompidos na manhã de domingo (25) após o jovem ser atingido com um tiro no peito ao reagir a um assalto na Avenida Miguel Rosa.

Ainda na tarde de ontem (25) o corpo do jovem foi velado na Pax União em Teresina. O corpo do jovem foi transferido para Elesbão Veloso para que amigos e familiares pudessem se despedir de Rayron. É aguardado para esta tarde uma homenagem dos amigos que estudavam com Rayron na Ufpi. O enterro está previsto para as 16h.

Dedicação

O tio da vítima, Evaldo Soares, contou ao GP1 que Rayron era dedicado e seu objetivo de vida era aprofundar o conhecimento. A paixão pelos livros se deu ainda na infância. De acordo com Edvaldo Sales, quando era pequeno, Rayron preferia ganhar livros dos familiares.

“Ele não tinha coisa de brincar, era só estudo, fazia amizade que era o mais importante dele e o forte dele era estudar. Nunca foi de brincar na rua. O fator principal para ele era o conhecimento. Tão tal que quando a avó queria dar algum presente, alguma coisa para ele, ele pedia o dinheiro para comprar um livro. Ele não queria nada, queria um livro”, contou.

Potencial

O professor Wagner Sales, que deu aula para Rayron no ensino fundamental, contou que ele se preocupava não só com seu desempenho, mas também de todos os colegas.

"O Rayron era completo. Era uma pessoa especial, de criança a adolescência, a fase adulta. Um menino exemplar. Preocupado com tudo e com todos, ele se preocupava até com os colegas que não tinham um bom desempenho na sala de aula. Ele ajudava em todos os sentidos. Ele tinha curiosidade tão sadia, que ele se preocupava no aprender, a questão do Rayron era aprendizagem. O potencial do Rayron, era um potencial que a gente não podia nem mensurar”, explicou.

Com era Rayron

O vizinho de Rayron, Jessé Dantas, contou como era o convívio com a vítima. "Nós erámos vizinhos e amigos, ele estudava com meu filho. O dia a dia deles era ir para a universidade pela manhã onde meu filho saía de casa e passava na casa dele com outro colega e levava pra UFPI e meio-dia voltavam. O Rayron no meu entender era uma pessoa formidável, um menino batalhador, só buscava descobrir coisas boas para ajudar, tanto era que já tinha pesquisas dentro da própria faculdade, já querendo descobrir novos métodos dentro da madicina, ele era fantástico, fabuloso. Foi uma perda muito grande, muito jovem, apenas 22 anos, em início de carreira, em busca de algo maior, e o que mais me deixa indignado é que essas injustiças deviam não existir, porque ele não merecia isso. E a justiça tem culpa, porque um indivíduo desse que acaba de matar uma pessoa, a 10 dias atrás e em seguida mata outro, não era pra tá solto, então que justiça é essa? Para mim não existe. Eu tinha ele como um filho, estou muito triste", relatou.

Renato Sousa cursava medicina com Rayron e contou como foi para a turma, receber a notícia do falecimento do colega. “A notícia foi muito impactante num primeiro momento, eu já vinha de uma série de perdas familiares, mas com certeza essa me doeu muito. Há cerca de quatro anos atrás iniciamos o curso, e a gente convive mais junto do que com a família, e o Rayron, dentro da nossa turma era um ser icônico, porque nas salas sempre tem aqueles grupinhos, mas ele era uma pessoa que conseguia transitar em todos os grupos. Ele era altamente carinhoso, tinha uma história de vida difícil que logo cedo perdeu a mãe no parto do irmão mais novo, saiu do interior para estudar na cidade e sempre se virou sozinho. Ele não tinha transporte e a gente sempre se unia pra ajudar, mas ele era um cara que sempre deixava bem claro que a gente podia alcançar as coisas, se a gente via ele que podia fazer tudo, porque não a gente? Então perder ele foi muito impactante, pra gente, ele era nosso filho”, lembrou o amigo.

Entenda o caso

Um estudante de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI), identificado como Antônio Rayron Soares de Holanda, de 22 anos de idade foi morto com um tiro no peito nas primeiras horas da manhã deste domingo (25), após reagir a um assalto próximo a uma parada de ônibus, na Avenida Miguel Rosa, na zona sul de Teresina.

Segundo informações do delegado Hildson Rodrigues, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o jovem estava se deslocando até a parada de ônibus, por volta de 6h da manhã, quando foi abordado por um indivíduo a pé. "Ele foi abordado por um homem, que anunciou o assalto. A princípio acreditamos que ele reagiu e o criminoso atirou", disse o delegado.

Rayron Holanda é natural do município de Elesbão Veloso, distante 164 km de Teresina.

MATÉRIAS RELACIONADAS

Estudante de medicina é morto com tiro no peito na Avenida Miguel Rosa

UFPI lamenta morte do estudante de medicina Rayron Holanda

Flávio Nogueira diz que morte de Rayron é de 'cortar o coração'

Estudante Rayron Holanda foi morto após sair de plantão no HUT

Conheça a história de superação do estudante Rayron Holanda