Mundo

Irã testa míssil balístico e aumenta tensão com os Estados Unidos

Segundo autoridades americanas, míssil balístico Shahab-3 tem alcance intermediário e voou 1.000 quilômetros dentro de território iraniano.

Por  Estadão Conteúdo

O Irã disparou um míssil de médio alcance na madrugada de quinta-feira, 25, segundo relatos de autoridades militares dos Estados Unidos para a mídia americana. Segundo as fontes, o teste não representa uma ameaça para as bases americanas ou outras bases militares ocidentais na região, mas aumenta ainda mais a escalada de tensão entre Irã e Estados Unidos.

O míssil Shahab-3 não é uma arma nova - está no arsenal iraniano há duas décadas. Baseado em um projeto norte-coreano, chamado No-Dong, ele pode voar cerca de 1.000 quilômetros, mas com aperfeiçoamentos podem ir além, capazes de atingir parte da Europa.

O míssil foi lançado na costa sul do Irã e caiu a leste de Teerã, disse a autoridade na quinta-feira, acrescentando que voou cerca de 1.100 quilômetros, ou cerca de 680 milhas, e permaneceu dentro do Irã durante todo o vôo.

“Embora o míssil Shabaab não represente ameaça para a navegação ou as bases dos EUA, segundo avaliações da inteligência, esses testes são parte dos esforços do Irã para aperfeiçoar o alcance e a precisão dos lançamentos”, escreveu em sua conta no Twitter a comentarista da CNN Barbara Star.

As autoridades do Irã não chegaram a anunciar os testes. Os lançamentos de mísseis não são proibidos pelo acordo nuclear de 2015 entre Washington e Teerã, que é uma das reclamações do presidente Trump sobre o acordo que ele abandonou no ano passado. Mas a Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada quando o acordo foi alcançado, diz que "o Irã é chamado a não realizar nenhuma atividade relacionada a mísseis balísticos projetados para fornecer armas nucleares, incluindo lançamentos usando essa tecnologia de mísseis balísticos". O Ministério de Defesa iraniano afirma que os lançamentos não violam a resolução.

O funcionário, que falou sob condição de anonimato para discutir análises de inteligência, disse que as autoridades americanas monitoraram de perto o local do teste enquanto o Irã preparava o míssil para o lançamento.

Apesar do esforço do Pentágono para minimizar a importância estratégica do lançamento, analistas americanos dizem que o teste parece ser uma declaração política do Irã, agindo para aumentar a escalada nas tensões e enviando uma mensagem para a Europa.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, exigiu que o Irã suspenda todos os lançamentos de mísseis e teste e entregue seu arsenal de armas. O Irã afirma que não tem obrigação de suspender o programa, por não ter interesse em armas nucleares, e não está violando a redação da proibição das Nações Unidas.

Na semana passada, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que se os Estados Unidos quiserem discutir limitações aos mísseis, devem começar não fornecendo à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes e a outros países árabes armamentos que ameacem o Irã. O teste, na quarta-feira, parecia indicar que o Irã não tinha intenção de desistir de sua própria frota de mísseis.

Israel e especialistas ocidentais dizem que uma arma nuclear pode ser montada para se encaixar no cone do míssil. O lançamento do teste também pode ser feito para demonstrar que os esforços americanos para sabotar o programa de mísseis iranianos, principalmente com partes ruins, não estão impedindo seu desenvolvimento.

O teste no Irã aconteceu horas depois do lançamento de dois mísseis balísticos de curto alcance na costa leste da Coreia do Norte, na quinta-feira. O governo sul-coreano disse que Pyongyang está expandindo sua capacidade de fornecer ogivas nucleares, enquanto Donald Trump se esforça em retomar as negociações sobre o fim do programa de armas nucleares do país.Os dois mísseis que a Coreia do Norte testou nesta quinta-feira, 25, sobre o Mar do Japão constituem um "novo tipo" e representam uma "solene advertência" aos setores mais agressivos na Coreia do Sul, informou nesta sexta-feira, 26, a agência estatal de notícias KCNA.

Tensão entre Irã e Estados Unidos

Depois que o presidente americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo assinado em 2015 pelas potências mundiais com o Irã - que previa o alívio de sanções em troca de o país limitar suas atividades nucleares e não desenvolver uma bomba atômica - em novembro de 2018 Washington voltou a impor sanções contra Teerã.

Entre os alvos do governo americano estão empresas iranianas, e funcionários do alto escalão do governo, além do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Além disso, companhias estrangeiras como Airbus, Total, Peugeot, Renault e Sanofi também abandonaram suas operações no país para evitar problemas.

O Brasil também também foi afetado pela disputa. Dois cargueiros iranianos fundeados próximos ao Porto de Paranaguá, no litoral paranaense, não conseguem deixar o País em consequência de um impasse judicial. O Irã ameaçou cortar as importações do Brasil se a estatal Petrobrásnão reabastecer os dois cargueiros da República Islâmica que estão parados há semanas no Paraná por falta de combustível em consequência de sanções impostas pelos Estados Unidos. Na quinta-feira, 25, o ministro Dias Toffoli, determinou que a estatal brasileira abasteça os dois navios iranianos.

Mais conteúdo sobre: