Motoristas de aplicativos e os de Táxi compareceram na manhã dessa terça-feira (20) a sessão plenária da Câmara Municipal de Vereadores de Teresina para acompanharem a discussão em relação ao projeto de lei apresentado pelo prefeito Firmino Filho (PSDB) que visa regulamentar o serviço de aplicativo de mobilidade em Teresina.
A divisão técnica da Câmara emitiu um parecer técnico rejeitando o projeto, afirmando que ele era inconstitucional, mas ele ainda precisa ser analisado na comissão da Câmara, antes de seguir para votação no plenário.
O motorista do aplicativo Uber, Délio Jefferson, criticou o projeto, afirmando que ele iria aumentar a tarifa para os clientes e que não podem ser aplicadas as mesmas normas que os táxis. Ele explicou que o aplicativo “foge de todas as características relacionadas ao táxi, porque além do táxi cobrar uma tarifa três vezes maior do que a nossa categoria, eles colocam uma diferença enorme. São coisas que querem colocar para a gente. Uma categoria que ainda cobra um valor inferior e que não tem como sustentar esse preço”.
Se a proposta for aprovada, a categoria pretende questionar na Justiça a sua legalidade. “A intenção é continuar com as manifestações e entrar com um recurso porque isso é totalmente inconstitucional. Já temos um advogado que está trabalhando junto com a gente, para ver o que podemos fazer em relação a isso. Já desenvolvemos a contraproposta que o Firmino lançou, não mudando tudo, mas mudando o que inviabilizaria o trabalho dos motoristas de aplicativo na cidade”, afirmou.
Já o taxista Francisco das Chagas, afirmou que a chegada dos motoristas do Uber prejudicaram a categoria, trazendo desigualdade. “Os motoristas de aplicativo chegaram e modificaram o cenário de Teresina e do Brasil como um todo, isso é inegável, a tecnologia chegou, é fato também, mas da forma que chegou, ela chegou predatória e de uma forma muito desigual. Esse projeto que está na Câmara vai fortalecer ambas as classes, vai fortalecer a classe de aplicativo, aqueles motoristas que realmente dependem do transporte, que realmente depende desse trabalho, não aquele que usa o trabalho como bico no final de semana e também fortalecendo a classe do taxista, que vai dar comum direito as duas classes. Eles terão direitos iguais aos que a gente tem hoje, mas para isso precisa que tenham lei”, disse.
Ele acredita na aprovação da proposta. “Já existe uma regulamentação que é nacional e vai existir a regulamentação pelo município, mas caso não seja aprovado hoje, amanhã ou depois essa manifestação, a luta para regulamentar os aplicativos vai continuar. Não vamos desistir porque o que queremos é igualdade de direitos”, pontuou.
O coronel Jaime, da Strans, afirmou que o projeto foi realizado de forma a melhorar a utilização do aplicativo. “Nós iremos regulamentar alguns pontos depois que a lei for aprovada e ser sancionada pelo nosso prefeito. É uma lei que envolve duas grandes categorias, que é a dos taxistas e dos operadores dos aplicativos e é mundial, está no mundo todo, é fato. Então nós nos antecipamos, somos um dos poucos municípios do país que já está regulamentando essa lei federal. Nós da Strans estamos aguardando com muita ansiedade até porque com a aprovação da lei nós vamos resolver um problema crônico que é o trabalho que nós desenvolvemos no dia-dia de combate ao transporte clandestino, ou seja, pessoas que operam num sistema que não está dentro do sistema de transporte público de Teresina”, finalizou.
Andressa Martins
Bárbara Rodrigues
Nayrana Meireles
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