A fisioterapeuta Rayvane Lays Oliveira da Silva, acusada de aplicar golpes contra clientes de uma clínica de estética da zona sudeste de Teresina, foi novamente indiciada pela Polícia Civil do Piauí (PC-PI) pelo crime de estelionato. O relatório, concluído no dia 10 de outubro pela delegada Daniella Dinali Silva Aguiar, da 8ª Delegacia Seccional, considerou os indícios de autoria e materialidade de que a acusada usava o estabelecimento em que era funcionária para aplicar os golpes. Esse é o terceiro indiciamento da mulher pelo mesmo delito.
Conforme denúncia apresentada pela vítima, de iniciais A. A. L. N., ela fez o pagamento de um procedimento pensando que seria destinado à empresa, mas, na verdade, foi para a conta da fisioterapeuta. No depoimento, a cliente disse que frequentava o estabelecimento há um ano, e tinha o costume de ser atendida por Rayvane Lays.
Entretanto, em 2024 ela comprou um pacote de depilação diretamente com a proprietária da clínica de estética, mas em uma sessão do dia 30 de julho, a acusada lhe ofereceu um pacote de R$ 290,00 dizendo ser uma “promoção curta”, ofertada somente para os “clientes mais próximos”. A vítima então fez o pagamento por meio de um link gerado por Rayvane Lays, que pouco tempo depois, em 27 de agosto, ofertou um pacote de clareamento íntimo de R$ 150,00, também adquirido pela denunciante. No total, foram R$ 440,00 pagos a uma conta pessoal da fisioterapeuta, ao invés de ser transferido para conta da empresa.
A surpresa veio no dia 22 de setembro, quando A. A. L. N. foi à clínica realizar os procedimentos e foi comunicada pelos proprietários que ela e outras clientes foram vítimas de um “golpe” de Rayvane. Inconformada, a vítima mandou mensagem para a acusada, que disse ter ficado com os valores do pagamento, mas que havia um acordo com a empresa, sem mencionar a intenção de estornar o montante pago pela cliente ou de agendar outro local e horário para realização dos procedimentos.
Fisioterapeuta disse que tinha consentimento dos proprietários
Na unidade policial, Rayvane Lays confirmou que vendeu os pacotes dos procedimentos estéticos enquanto ainda trabalhava na clínica de estética, com o consentimento dos proprietários do estabelecimento. Ela afirmou que recebeu uma ligação de A. A. L. N., que comunicou o fato de os donos da clínica desconhecerem essas ofertas, e que por isso a cliente não realizaria os procedimentos contratados.
A fisioterapeuta confirmou ter recebido as transferências em uma conta pessoal com permissão dos donos da clínica, mas não realizou os serviços por ter sido demitida, e pediu para a mulher um prazo de 120 dias para devolver os valores.
Dona da clínica recebeu reclamação de clientes
A proprietária da clínica de estética também foi ouvida pela autoridade policial, e disse ter recebido reclamação de clientes que tinham feito pagamentos por Pix para a conta pessoal de Rayvane Lays, com preços inferiores aos praticados pela empresa e apresentados pela então funcionária como promoção. Depois de tomar conhecimento dessa prática, a empresária decidiu encerrar a prestação de serviços da fisioterapeuta no estabelecimento, mas mesmo após deixar a empresa, a acusada ainda entrava em contato com clientes oferecendo pacotes falsos.
Indiciamento
Com base nessas declarações e documentos colhidos na investigação, foi demonstrada a materialidade e autoria de Rayvane Lays Oliveira no delito de estelionato, por usar da condição de funcionária e da confiança dos clientes para induzir as vítimas a erro e obter vantagem ilícita para si.
Outros casos de estelionato
A fisioterapeuta foi indiciada em dois inquéritos policiais por estelionato contra clientes que contrataram pacotes de procedimentos estéticos na clínica em que ela trabalhava. Um procedimento foi concluído no dia 6 de outubro e outro no dia 8, e partiram das denúncias de duas clientes.
Uma das vítimas, de iniciais L. S. B. O., teve um prejuízo de R$ 1.400,00 ao acreditar estar contratando pacotes de depilação em promoção. O montante foi pago à conta que pertencia à Rayvane Lays, e a cliente só descobriu ter sido vítima de um golpe ao chegar na clínica e descobrir que os valores não tinham sido lançados no sistema da empresa.
Já a segunda vítima, de iniciais V. S. S., transferiu R$ 480,00 à acusada, também sob a oferta de promoções em procedimentos estéticos. Ela, assim como a primeira mulher, descobriu que havia sido vítima de um golpe ao se dirigir ao estabelecimento e verificar que não havia nenhum agendamento em seu nome.
Outro lado
Procurada pelo GP1, Rayvane Lays Oliveira da Silva afirmou que a situação "não passou de um mal-entendido" devido a um desentendimento entre as informações do contrato na empresa em que trabalhava, e que já devolveu todo o dinheiro às clientes que foram lesadas pelo seu ato.
"Na verdade, tudo não passou de um mal-entendido, infelizmente houve um desentendimento em relação às informações de contrato no local em que trabalhava, mas eu prontamente já devolvi todos os valores a todas as pessoas que efetivamente tiveram algum tipo de prejuízo de forma que esses inquéritos serão concluídos e arquivados, e com isso na Justiça será confirmado minha inocência", declarou a fisioterapeuta.
Carolina Matta
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