O Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP) indiciou, nesta quinta-feira (9), a mulher suspeita de matar o próprio irmão com 14 facadas no residencial Jacinta Andrade, zona norte de Teresina, no último domingo (5). Kawany Maria dos Santos Ferreira foi indiciada pelo crime de homicídio privilegiado qualificado contra Carlos Eduardo dos Santos Ferreira.
A polícia chegou a representar pela prisão preventiva da investigada, mas o pedido foi indeferido pela Justiça, que aplicou apenas medidas cautelares, incluindo monitoramento por tornozeleira eletrônica e comparecimento mensal em Juízo.
Segundo o delegado Natan Cardoso, responsável pela investigação, foi investigada a hipótese de legítima defesa. Ele informou, no entanto, que antes do crime houve uma briga familiar, envolvendo a mãe, a irmã e o cunhado da vítima.
“No depoimento de várias testemunhas e dos próprios familiares foi observado que a vítima realmente tinha esse histórico de agressões verbais, de agressões físicas no contexto familiar. E isso parece ter ocasionado esse estopim que levou ao homicídio praticado pela irmã em desfavor do irmão. Há informações que indicam que ele era usuário de drogas, no entanto, isso não restou cabalmente comprovado”, explicou a autoridade policial.
Dinâmica do crime
Segundo o delegado, o desentendimento começou quando a vítima pedia dinheiro à mãe, proferindo injúrias e ofensas verbais contra a genitora. O cunhado de Carlos Eduardo interveio e pediu que fosse embora, iniciando uma briga física, foi quando Kawany Maria entrou na discussão.
“A irmã de Carlos Eduardo entrou na briga e foi empurrada, atingida com golpes contundentes por ele. Ela [Kawany] se afasta do local, vai até a casa da família, busca uma faca e retorna até a via pública e nesse momento a mãe de ambos está agarrada à vítima fatal, tentando segurá-lo. A autora do crime disse que imaginou que o irmão estava chutando a mãe no chão. No momento que ela se aproxima, seu irmão, que portava uma pedra, a joga ao chão, ou seja, ele não ameaçava mais a integridade física da irmã naquele momento, e ela se aproxima e desfere a primeira facada. Ele tenta correr, se afastando dela, ela desfere mais duas facadas nas costas dele, ele tropeça em um cachorro, cai ao chão e ela continua a desferir novos golpes de faca, e falando a seguinte frase: ‘é bom, né?’. Isso demonstrou uma crueldade”, detalhou o delegado.
Homicídio privilegiado
O delegado Natan Cardoso explicou a tipificação penal do caso. “Em razão de tudo que foi apurado, a Polícia Civil indiciou a suposta autora pelo delito de homicídio privilegiado qualificado. O privilégio advém da injusta provocação da vítima, tendo em vista que agrediu o cunhado e a própria autora, e a qualificadora é em razão do meio cruel utilizado pela autora. Concluímos as investigações e entendemos que não houve legítima defesa, tendo em vista que não havia ali uma agressão atual ou iminente”, finalizou.
Um vídeo registrado por câmeras de segurança mostra o momento em que a suspeita desfere os golpes contra a vítima. Em seguida, um homem intervém, puxa a mulher e ambos entram em um carro, deixando o local.
Brunno Suênio
Thais Guimarães
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