Fechar
GP1

Teresina - Piauí

Em 9 meses de gestão, prefeito Sílvio Mendes já pagou R$ 2,3 milhões a escritórios de advocacia

Foram realizados 31 pagamentos entre março e novembro deste ano, totalizando R$ 2.308.148,92.

Em um cenário de contenção orçamentária e reclamações crescentes sobre a falta de investimentos em áreas essenciais da capital, o prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) tem direcionado cifras milionárias a escritórios de advocacia particulares, apesar de dispor de toda a estrutura técnica e jurídica da Procuradoria-Geral do Município (PGM). Somente neste ano, a Prefeitura de Teresina já liberou mais de R$ 2,3 milhões para bancar serviços terceirizados de representação judicial, uma prática que levanta questionamentos sobre prioridades e eficiência no uso do dinheiro público.

Entre março e novembro, foram 31 pagamentos, totalizando R$ 2.308.148,92, valor que chama ainda mais atenção diante da capacidade institucional da própria PGM, responsável legal por defender os interesses do município.

Foto: Lucas Dias/GP1Sílvio Mendes
Sílvio Mendes

De acordo com levantamento realizado pelo GP1, a maior parte desses pagamentos milionários refere-se a contratos firmados ainda na gestão anterior, comandada por Dr. Pessoa. Mesmo assim, a atual administração de Sílvio Mendes também celebrou novos acordos com bancas privadas: Campos & Araújo Sociedade de Advogados e Carvalho, Araújo e Moura – Sociedade de Advogados aparecem entre os escritórios que receberam recursos neste ano.

O escritório Campos & Araújo Sociedade de Advogados foi contratado em 29 de janeiro deste ano, por meio da inexigibilidade, com vigência até 29 de janeiro de 2026, pelo valor global de R$ 240 mil, para prestação de serviços à Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb).

Já o escritório Carvalho, Araújo e Moura - Sociedade de Advogados foi contratado em 10 de março, com vigência até 10 de março de 2026, sem licitação, para prestação de serviços à própria PGM pelo montante de R$ 6.960.000,00 (seis milhões e novecentos e sessenta mil reais). Tal contrato chegou a ser suspenso por liminar da Justiça do Piauí.

Veja os valores pagos a escritórios de advocacia neste ano:

Março

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados – R$ 16.784,60

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados – R$ 11.189,73

Campos & Araújo Sociedade de Advogados – R$ 20.000,00

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 26.950,58

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 60.763,46

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 115.248,89

Abril

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 7.000,00

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados – R$ 16.784,60

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados – R$ 11.189,73

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 13.000,00

Maio

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 176.012,35

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 11.189,73

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 16.784,60

Junho

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 11.189,73

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 16.784,60

Julho

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 11.189,73

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Pedro Costa & Advogados Associados - R$ 25.200,00

Caldas, Ribeiro e Santos Sociedade de Advogados - R$ 16.784,60

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 268.324,36

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 303.639,90

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 407.449,69

Agosto

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 11.822,61

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 164.189,74

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 176.012,35

Carvalho, Araujo & Moura - Sociedade de Advogados – R$ 272.663,34

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Outubro

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Novembro

Campos & Araújo Sociedade de Advogados - R$ 20.000,00

Total - R$ 2.308.148,92

MP-PI é contra contratação de escritório de advocacia sem licitação

Em 2021, o Ministério Público do Piauí endossou a discussão acerca dos entendimentos sobre contratos sem licitação de escritórios de advocacia firmados por prefeituras no Piauí. No dia 18 de junho, o Subprocurador de Justiça Leonardo Fonseca Rodrigues se manifestou contrário a manutenção de contratos sem licitação firmados pelo Município de Agricolândia com dois escritórios de advocacia.

Para o Ministério Público do Piauí, a contratação direta de serviços de advocacia mediante a inexigibilidade de licitação, sem a demonstração da singularidade do objeto contratado, não deve ser admitida, pois atenta contra os princípios da administração pública.

Contratos sob o crivo da Justiça

Contratos dessa natureza têm sido alvo frequente de ações do Ministério Público do Estado do Piauí. Em diversos casos, a Justiça tem anulado contratações por identificar ausência de comprovação dos requisitos legais para dispensa de licitação.

Um exemplo recente ocorreu em julho deste ano quando o juiz Carlos Marcello Sales Campos, da 2ª Vara da Comarca de Floriano, concedeu liminar suspendendo imediatamente o contrato nº 02/2025 firmado entre a Prefeitura de São José do Peixe, por meio do prefeito Celso Antônio Mendes Coimbra (PT), e o escritório Catunda e Normando Advogados Associados, no valor de R$ 420 mil.

A decisão judicial também proibiu o município de renovar ou firmar novo contrato com o mesmo escritório enquanto não houver sentença definitiva na ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Estado do Piauí.

A ação foi ajuizada após a constatação de que a contratação do escritório ocorreu por inexigibilidade de licitação, sem a realização de pesquisa de preços e com base apenas em orçamento apresentado pela própria empresa. O contrato foi assinado em 2 de janeiro de 2025 com valor mensal de R$ 35 mil, totalizando R$ 420 mil no ano. O Ministério Público afirmou que o valor foi estabelecido com base na tabela da OAB, que prevê R$ 14.110,69 para serviços de assessoria jurídica, mas que foi multiplicado por três sem justificativa plausível.

Outro lado

Procurado pelo GP1 para comentar os pagamentos, o prefeito Sílvio Mendes não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para esclarecimentos.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.