O advogado criminalista Jader Veloso se pronunciou nesta sexta-feira (7) após a repercussão do episódio registrado pelo GP1, em que tentou impedir a gravação de seu cliente, o empresário Haran Santhiago Girão, ao deixar a sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), em Teresina. Segundo o advogado, sua conduta foi motivada pelo dever profissional de resguardar os direitos dos clientes, que respondem em um processo sob segredo de Justiça.
“Como advogado criminalista, tenho o dever legal e ético de proteger a integridade física, moral e jurídica de meus clientes, especialmente em momentos de grande exposição pública”, afirmou Veloso em nota. Ele destacou que o caso está em sigilo judicial e que, por isso, a exposição de informações e imagens não seria permitida.
“As informações, dados e imagem dos meus Constituintes sequer poderiam ser expostos naquele momento, ainda mais no interior de uma Instituição que tem o dever de zelar por tal observância”, acrescentou.
O advogado também negou ter agido com desrespeito aos profissionais de imprensa, afirmando que o gesto foi mal interpretado. “Ao preservar os direitos dos meus clientes, o gesto foi interpretado como desrespeito ao profissional de imprensa, o que não é verdade”, declarou. Veloso ainda reforçou seu respeito à atuação jornalística: “Acredito que a advocacia e a imprensa são pilares fundamentais da democracia. O exercício de ambos exige firmeza, mas também civilidade e é com esse espírito que sigo atuando.”
O episódio ocorreu durante a saída de Haran Santhiago da SSP-PI, após prestar depoimento no âmbito da Operação Carbono Oculto 86, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e ligação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A gravação feita pela reportagem do GP1 foi compartilhada nas redes sociais e motivou uma nota de repúdio do Sindicato dos Jornalistas do Piauí (Sindjor-PI), que classificou a atitude do advogado como “censura” e “antidemocrática”. A entidade informou que irá acionar a Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB-PI para que sejam adotadas as providências cabíveis.
Confira a nota na íntegra
Como advogado criminalista, tenho o dever legal e ético de proteger a integridade física, moral e jurídica de meus clientes, especialmente em momentos de grande exposição pública.
Na situação em tela trata-se de um procedimento que tramita em absoluto segredo de Justiça, de sorte que as informações, dados e imagem dos meus Constituintes sequer poderiam ser expostos naquele momento, ainda mais no interior de uma Instituição que tem o dever de zelar por tal observância.
Ao preservar os direitos dos meus clientes, o gesto foi interpretado como desrespeito ao profissional de imprensa, o que não é verdade.
Acredito que a advocacia e a imprensa são pilares fundamentais da democracia. O exercício de ambos exige firmeza, mas também civilidade e é com esse espírito que sigo atuando.
Rodrigo Mendes
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