A dona de casa Isabel Vandelene de Sousa, mãe de quatro filhos, foi despejada do imóvel onde vivia há mais de duas décadas e atualmente reside em uma barraca improvisada no terreno de uma vizinha. O caso, denunciado por moradores ao GP1, envolve uma longa trajetória de violência, abandono e conflito judicial.
Segundo os relatos, Isabel se casou muito jovem e enfrentou diversos episódios de agressão durante o relacionamento, seu então companheiro chegou a ser preso por violência doméstica. Após sair da prisão, e motivado por vingança, ele transferiu o terreno em que o casal vivia para o nome do próprio pai. Mais tarde, a situação se agravou quando Isabel descobriu que o marido havia abusado sexualmente de uma das filhas do casal. Ela registrou um Boletim de Ocorrência, o que fez com que ele fugisse de casa temendo ser preso novamente. Durante a fuga, o homem realizava pequenos bicos e acabou morrendo após sofrer uma descarga elétrica enquanto fazia um serviço de instalação.
Após a morte do filho, o sogro de Isabel ingressou na Justiça reivindicando a casa, argumentando que o imóvel foi construído em terreno de sua propriedade e que havia recebido a transferência do filho. A família afirma que a residência foi adquirida com pagamento em dinheiro e mediante a troca de uma moto, mas, por confiar na palavra do vendedor, Isabel não possui nenhum comprovante formal da negociação. Mesmo assim, no dia 25 de novembro, data marcada pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, a Justiça concedeu decisão favorável ao sogro, resultando no despejo.
Sem alternativas, Isabel contou com o apoio de movimentos sociais que montaram uma barraca para que ela e os quatro filhos não ficassem completamente desabrigados. Enquanto isso, ela tenta reverter a situação por meio de uma ação de usucapião, alegando posse prolongada e pacífica do imóvel. O processo ainda não foi analisado, enquanto o pedido de despejo, mais antigo, já teve desfecho. Grupos que acompanham o caso defendem que a casa, por ser um imóvel popular, deve cumprir sua função social, e pedem sensibilidade das autoridades diante da vulnerabilidade da família.
Caroline Vitorino
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