O presidente da Câmara Municipal de Teresina, vereador Enzo Samuel (PDT), afirmou nesta segunda-feira (07) que vai ao Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) obter respostas sobre como proceder na possível convocação do suplente da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), que foi afastada do cargo por decisão judicial, no bojo da Operação Escudo Eleitoral II, que investiga compra de votos, com uso de dinheiro oriundo do crime organizado, nas eleições de 2024, em Teresina-PI.
O questionamento visa saber quando o suplente Leôndidas Júnior poderá ser convocado.
Fontes ouvidas pelo GP1 apontam que parte do PSB defende que o presidente Enzo Samuel deveria convocar Leôndidas Júnior, primeiro suplente da sigla, imediatamente, com base no Art. 87 do regimento interno da Câmara, que preconiza que "em qualquer caso de vaga, licença ou investidura no cargo de Secretário...o presidente da Câmara convocará imediatamente o respectivo suplente"
O afastamento de Tatiana Medeiros, porém, abriu um precedente e não se enquadra em nenhum dos casos acima.
A expectativa do presidente da Câmara Municipal de Teresina é que o TRE-PI deve disponibilizar uma resposta ainda nesta segunda-feira (07), a fim de dirimir qualquer dúvida sobre a situação da suplência.
Afastamento da Câmara
A Justiça Eleitoral determinou o afastamento da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) da Câmara Municipal de Teresina. A ordem judicial foi expedida pelo 1º Juízo de Garantias da Justiça Eleitoral no Piauí. O mandado de afastamento de função pública da vereadora foi cumprido na quinta-feira (03).
Segundo a investigação da Polícia Federal no Piauí, há fortes indícios de possíveis desvios de verbas públicas de uma organização não governamental e uso de dinheiro oriundo de facção criminosa para o financiamento da campanha eleitoral e compra de votos da vereadora Tatiana Medeiros.
Alvo de inquérito da Polícia Federal
Em 25 de novembro de 2024, o delegado da Polícia Federal, Daniel Araújo, abriu um inquérito para apurar a possível ligação da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) com Alandilson Cardoso Passos, apontado como membro da facção criminosa Bonde dos 40 e seu namorado.
A investigação também apura o crime de lavagem de dinheiro durante a campanha eleitoral. A suspeita é que a advogada tenha usado o Instituto Vamos Juntos para lavar recursos provenientes da organização criminosa e, posteriormente, empregá-los no pleito municipal de 2024.
Envolvimento com o Bonde dos 40
No inquérito instaurado em novembro de 2024, a Polícia Federal apontou quatro possíveis crimes envolvendo Tatiana Medeiros e a facção Bonde dos 40. As suspeitas são:
1. Uso do Instituto Vamos Juntos – Tatiana pode ter utilizado a ONG para captar recursos ilícitos, incluindo dinheiro oriundo da facção criminosa, e direcioná-los para sua campanha eleitoral.
2. Financiamento Eleitoral Irregular – O Bonde dos 40 pode ter financiado diretamente a campanha da advogada em troca de influência política e facilitação de suas atividades no Piauí.
3. Coação e Manipulação de Eleitores – A facção teria mobilizado membros para coagir ou aliciar eleitores em comunidades vulneráveis sob seu domínio, garantindo votos para Tatiana.
4. Fraude na Prestação de Contas – A vereadora é suspeita de omitir ou adulterar informações em sua prestação de contas, incluindo despesas fictícias. Um dos exemplos citados é a locação de um veículo registrado no nome de sua mãe, Maria Odelia de Aguiar Medeiros, que não possui registro de CNH, o que levanta indícios de irregularidade.
Eleição de Tatiana Medeiros
Tatiana Medeiros foi eleita vereadora de Teresina, no dia 06 de outubro de 2024, com 2.925 votos, por quociente partidário, no Partido Socialista Brasileiro (PSB). No registro de sua candidatura, a parlamentar declarou que hão havia nenhum bem material em seu nome.
Pedro Oliveira
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